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    LEITURAS: 12 anos de jornal Rascunho "o mais difícil é encontrar dinheiro”




    Aos 12, com circulação mensal que nunca se interrompeu, o “Rascunho” é hoje a mais longeva publicação literária independente do país.
    Quando existia a EntreLivros, revista mensal que editei entre 2005 e 2008 (como editora assistente e depois editora), eu pensava diariamente em quanto tempo duraria. E ao ver todo mês o Rascunho chegar, apostava que seríamos capazes de repetir o feito daquele veterano sediado em Curitiba. EntreLivros se foi, Rascunho continua – caro leitor, não é nada fácil.
    Criador e editor, Rogério Pereira conta a história do Rascunho: nasceu em 2000 como um encarte de oito páginas do “Jornal do Estado”, de Curitiba. Quando completou quatro anos, se tornou independente, já com 32 páginas, 40 em edições especiais. A cada mês, são rodados 5 mil exemplares. O número de colaboradores varia de 30 a 50 por edição. Chega a todos os estados brasileiros por meio de assinaturas e cortesias. Há pontos de distribuição gratuita em livrarias de vários estados. As edições seguem também para universidades e embaixadas brasileiras no exterior.
    O jornal é editado pela Letras & Livros, “criada por razões fiscais e cujo patrimônio é uma sala atulhada de livros, um computador, uma impressora e algumas dívidas”, explica Pereira. O endereço fiscal continua sendo o da casa de sua mãe. “Lá, o Rascunho nasceu. Lá, há de sobreviver. É claro que isso faz parte do folclore do jornal, pois agora temos uma sala comercial no centro de Curitiba”.
    Esta é a conversa que tive com Rogério Pereira por email. Vá por aqui para encontrar a versão online do Rascunho.


    Josélia Aguiar - Brasil


    Como surgiu a ideia de fazer o Rascunho?

    “Foi bastante prosaico: reuni um grupo de amigos para criar um jornal literário. Na época, éramos bastante jovens, acreditávamos que iríamos mudar o mundo, fazer grandes coisas etc. Ou seja, o que todo jovem acredita que irá fazer antes de se tornar um velho reclamão e acomodado. Tínhamos muito claro que precisávamos fazer algo de qualidade, expressivo, diferente. Então, resolvemos apostar em longos textos, longas entrevistas, espaço para inéditos — algo em franca decadência na imprensa brasileira naquela época, tão apaixonada pelas novidades da internet. Sempre fui muito perfeccionista e exigente comigo mesmo. Então, não poderia fazer um jornalzinho de literatura. Era preciso fazer o ‘melhor jornal de literatura do Brasil’, mesmo sem nenhum dinheiro, pouquíssima visibilidade e conhecimentos mais do que frágeis. Enfim, uma aventura como outra qualquer, cujos prejuízos seriam mínimos. Mas a aventura deu certo. O Rascunho cresceu, tomou corpo, importância e hoje é, apesar da arrogância do slogan, ‘o jornal de literatura do Brasil’”.

    Lembro-me de uma fase mais polêmica, com resenhas mais duras, brigas até. O Rascunho, me parece, está mais suave. É da idade? Foi algo que ocorreu naturalmente ou vocês buscaram uma mudança de ânimos?

    “Não buscamos nada. Ou buscamos e não sabemos. No início, éramos iconoclastas, destruidores, birrentos, piás de calça curta jogando pedras para todos os lados. Matamos vários passarinhos desavisados. Fase muito boa aquela. Lembro da capa sobre os 50 anos da poesia do Décio Pignatari: “50 ANOS DE ENGANAÇÃO”. Depois, teve a do Sebastião Uchoa Leite: “Pára com isso, Sebastião”. O Rascunho era melhor ou pior naquela época de guerrilha? Uns acham que era melhor; outros, que era uma lástima. Hoje, somos mais mansos, mais bovinos? Talvez sejamos mais responsáveis, sem perder a liberdade de opinião. O Rascunho vive publicando resenhas negativas a vários autores consagrados. Qual o problema? Nenhum. Fazer um jornal para ficar bajulando o outro em troca de bajulação é algo que não nos seduz. Pode seduzir algum dos colaboradores, mas nunca me seduzirá. O jornal continua sendo um amplo palco para discussões literárias, para a divulgação do livro, leitura e literatura. Hoje, abriga muitas vozes, é mais complicado driblar certos compadrios. Mas continuo tentando. Levo as coisas muito a sério. Há todo um critério editorial seguido à risca. É claro que hoje as costas doem mais, a visão está mais embaçada, a energia começa a rarear. Nestes dias, é melhor esquecer pequenas intrigas. E guardar energia para as grandes batalhas. A velhice só faz bem aos museus; e aos geriatras enquanto não precisarem consultar seus colegas geriatras”.

    O que é mais difícil – ter mais leitores, ter os colaboradores que procuram, ter patrocinadores?

    “Mais difícil é encontrar dinheiro. A ignorância está entranhada na vida do Brasil. Ser ignorante é muito fácil, muito mais cômodo. Dói menos. Nossa classe média é alfabetizada, mas não lê. Ou lê para se distrair. Portanto, um bando de analfabetos. Nossos políticos, com algumas boas exceções, são todos clones do Tiririca: usam gravata Armani, terno Ermenegildo Zegna e carregam no bolso o livro de piadas do Costinha. Para tirar sarro da nossa cara, obviamente. Leitores surgem o tempo todo. Somos uma imensa minoria. Mas com bastante ânimo. Colaboradores também. O Rascunho não consegue abrigar todos que desejam colaborar com o jornal. E não pagamos um centavo pelos textos. É incrível como existem pessoas malucas. Não estou sozinho nisso. Sou apenas um arremedo de Simão Bacamarte. O Rascunho é a nossa Casa Verde. Precisamos de mais dinheiro para adquirir nossos barbitúricos, soníferos, calmantes etc”.

    O Paiol Literário, projeto que recebe autores para longa conversa, e agora a reunião em livro das principais entrevistas fortaleceram o Rascunho? 

    “É preciso fazer algo que dê sustentação financeira. Todo projeto ajuda a manter o Rascunho vivo. O Paiol surgiu do meu interesse pelas discussões em torno da leitura/literatura. Não é nada original: entrevista com um escritor, com perguntas do público. O diferencial é que guardamos a memória de todos os encontros com a transcrição no Rascunho, com o áudio e o vídeo. O livro de entrevista é uma consequência bastante natural, pois as grandes entrevistas fazem parte da alma do Rascunho desde seu início. E o belo trabalho do Luís Henrique Pellanda na organização e da Arquipélago na edição valorizou muitíssimo esta marca do Rascunho. Mas o mais importante é que o Rascunho gerou um ambiente propício à criação de novos projetos. E vamos continuar insistindo enquanto o médico não nos der alta deste hospício.”

    O site ajudou na vida do Rascunho impresso?

    “O site ‘piorou’ a vida: não ganhamos dinheiro com ele (só gastamos) e cresceu muitíssimo a nossa demanda. Todo dia tem alguém entrando em contato, mandando textos, mandando livro, etc. Um verdadeiro inferno, no bom sentido (acho). Hoje, temos mais leitores no site do que na versão impressa. Ao todo (site + impresso), temos quase 30 mil leitores. É muita gente desocupada neste mundo.”

    Como funciona a parceria com o grupo GRPCom, que publica a “Gazeta do Povo”?

    “Imprimimos o Rascunho nas gráficas da “Gazeta do Povo” com algumas vantagens. Em troca, oferecemos todo o conteúdo do Rascunho para o site da Gazeta. É uma ótima parceria. Mas não implica em qualquer interferência na linha editorial. Continuamos com a mesma independência, fazendo o jornal de madrugada, aos finais de semana. As dificuldades financeiras continuam as mesmas. Todo mês é preciso buscar dinheiro para arcar com todas as despesas da edição. Quando falta, tiro do meu bolso. Não usamos lei de incentivo. Mas, que fique claro, não há nada de heróico nisso tudo, como alguns dizem por aí. É apenas uma escolha, uma forma de viver, de apostar em alguma coisa em que se acredita. Heróico é outra coisa, muito mais complexo, como ajudar efetivamente quem precisa. Fazer um jornal de literatura é apenas uma aposta. Nada mais.”

    Por que as nossas publicações literárias nascem e morrem tão rapidamente? A competição entre os pares é um problema maior que a própria falta de público?


    “Deus se esqueceu de colocar na constituição cerebral da classe média brasileira (na haitiana também, parece) que ler é importante. E a classe média gerou os diretores de marketing, que não lêem, não sabem para que serve a leitura de ficção etc. Aí, eles, os diretores de marketing das grandes empresas (inclusive das editoras), que só lêem livros de autoajuda, pois estão preocupados somente consigo mesmos, não sabem exatamente para que serve uma publicação literária. Aí, não destinam verbas publicitárias a estas publicações literárias. E elas morrem. E as grandes editoras, que poderiam investir em publicações como o Rascunho, não investem. Por quê? Simples: porque é preciso fisgar o leitor desavisado dos grandes jornais. O leitor do Rascunho sabe onde e o que procurar nas livrarias. Entre a Folha e o Rascunho, a grande editora sempre opta pela Folha. Não poderia optar por ambos? Cansei de bater na porta das grandes editoras pedindo um quinhão (bem pequeno) da verba publicitária. Algumas querem fazer permuta por livros. Adoro livros, vivo por eles etc., mas já tentei mastigar a “Divina Comédia” com alface e me pareceu indigesto. Nem as grandes editoras, cujos diretores de marketing foram gerados a partir do erro divino, apostam em publicações com o Rascunho (a não ser as assessorias de imprensa, que nos atormentam o tempo todo; por quê? porque os escritores querem espaço lá, acham importante a discussão de seus livros no jornal, etc.). Torço para que os diretores de marketing sejam todos ficcionistas. Eu falo de publicações literárias na essência. Não falo de publicações culturais. Ninguém se interessa por publicações alternativas de literatura. A não ser os leitores e os escritores. Mas os leitores destas publicações estão sempre sem grana. Se todo mês cada um que diz gostar doasse R$ 1, estaríamos salvos. O pobre não é solidário na literatura. Nem no câncer. Mas as publicações têm muita culpa nisso tudo. Normalmente, são de péssima qualidade gráfica e editorial, atendem interesses mesquinhos de meia dúzia de poetas locais, são intransigentes, não aceitam a variedade de vozes etc. Sufocam e morrem.”

    Como explicar o fato de Curitiba, o Paraná em geral, ter um veículo do porte do Rascunho? Antes houve o Nicolau, agora há também o Cândido. De onde vem a tradição de fazer publicações?

    “Talvez venha da anemia editorial da cidade. Nunca tivemos (com raríssimas exceções) um mercado editorial fortalecido. Isso talvez tenha motivado algumas pessoas a se dedicar às publicações literárias. É uma forma de dizer “estamos aqui, fazemos algo além de fugir da chuva e de treinar este nosso sotaque horroroso”. Ou talvez não seja nada disso. Quem sabe seja um ranço da soberba intelectual de nossa colonização europeia: somos filhos de italianos, poloneses, ucranianos, alemães. Filhos renegados, é bom que se diga. Ou talvez seja a coincidência de algumas pessoas estarem em Curitiba em determinado momento da vida. Ou ainda a inveja do passado. Já que tivemos a Joaquim, vamos fazer o Nicolau; já que o Nicolau fez sucesso, vamos fazer o Rascunho; já que o Rascunho deu certo, vamos criar o Cândido. É isto: a inveja nos move. A culpa, portanto, de tantas publicações literárias em Curitiba é da inveja. E, em última estância, do capeta e dos pecados capitais. Contrariando nossa tradição cristã, vamos todos arder no fogo do inferno, invejosos, sob as labaredas das nossas páginas impressas em papel barato.”

    O que quer o Rascunho agora? Algum novo projeto, reformulação à vista?

    “A sobrevivência. Sempre. Mas sempre queremos ir além da sobrevivência. Vivo de projetos. O que me impulsiona sempre é a possibilidade de fazer algo, de ir além. Tenho vários projetos anotados na caderneta ao lado da caixa de Rivotril. Pretendo criar uma fundação: Fundação Rascunho de Cultura. Com isso, desejo criar projetos sociais de livro e leitura. Ir além da discussão teórica, da divulgação dos livros etc. Hoje, apoiamos alguns projetos, mas é preciso fazer mais. Acho que uma Fundação dará suporte para mais esta aventura. Também pretendo criar uma biblioteca comunitária na casa da minha mãe (endereço fiscal do Rascunho). Cresci naquela casa de madeira, criei o Rascunho ali, li boa parte dos livros naquele quarto úmido. Agora, sempre que vou à casa da minha mãe, penso que uma biblioteca poderia ser muito útil para aqueles moleques que passam o dia nas esquinas vagabundeando ou usando drogas. Também carrego há bastante tempo a ideia de uma biblioteca itinerante pela periferia de Curitiba. Pretendo comprar uma kombi, equipá-la e levar livros e leitura a quem precisa. Muitas pessoas não sabem que gostam de ler. É preciso mostrar isso a elas. E pretendo criar o Prêmio Rascunho de Literatura. Ainda não sei muito bem como, nem quando, mas penso nisso há muito tempo. Não tenho projetos originais. São todos muito óbvios. Mas acredito que é preciso dizer o óbvio todos os dias. E o original quando é possível.”






    EVENTOS: PALAVRAS DE ACORDAR O CORPO



    Diálogos com os autores: José Geraldo Neres – Leo Gonçalves
    Mediação: Elaine Pauvolid (poeta)
    Participação de:  Luíz Horácio Rodrigues (escritor e critico literário) e Tanussi Cardoso (poeta e crítico literário).

    25 de setembro de 2012, (horário: 19h às 21h)
    Local: Centro Cultural Justiça Federal
    Sala de Leitura, 2º andar.
    Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro / RJ


    “Palavras de acordar o corpo; influências e provocações durante a escrituração dos livros Olhos de Barro, de José Geraldo Neres e Use o assento para flutuar de Leo Gonçalves, ambos da Editora Patuá.”

    Release das obras:

    Olhos de barro é o terceiro livro do poeta, ficcionista e produtor cultural paulista José Geraldo Neres, que recebeu “Menção Especial” no 3º Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção – 2010). É uma coletânea de contos na qual o lirismo tem precedência sobre o enredo, estruturada em cinco livros: Colheita de silênciosUm pedaço de chuva no bolsoSol rasgado aos pés da serpenteO silêncio das árvores e A fome dos nomes.

    No dizer da renomada poeta e professora titular de Literatura Portuguesa da Universidade Federal de Sergipe, Maria Lúcia Dal Farra, “o barro, aqui, para além de incluir os jogos da infância, as brincadeiras em torno da construção da casa e dos outros, carrega o grão mítico da criação, o que engendra os olhos capazes de inaugurarem um inesperado mundo novo – mercê do nome, mercê dos modos outros de designação. O corpo é o eixo da nomeação. Ele é a casa da palavra, o texto habitável, o teto sob o qual o rito se cumpre pacientemente. Janelas e portas, quarto e cômodos, cortinas e paredes, chão e pedras e chaves (ou corpo, pele, rosto, boca, dentes, riso) – são os pontos cardeais da fortaleza a ser assaltada ou preservada, escapes ou aberturas para a instauração dos nomes e das imagens, conforme se dê o embate com o outro, conforme a palavra de ordem para cada caso, para cada acaso.”

    É uma poética de imagens, símbolos e mitos alinhados em construções geométricas que desafiam o leitor, convocam sua mente e sentidos. Nas palavras do premiado escritor mineiro Luiz Ruffato, “Neres submerge na memória, não na dele, mas na de todos nós, desprovido de parafernálias, ciente apenas de seu próprio fôlego, para trazer, do fundo do oceano obscuro, ostras contendo pérolas. Cabe a nós, leitores, abri-las para extasiarmo-nos com os seus poemas em prosa, gênero difícil, porque híbrido, e fascinante, porque completo. Olhos de Barro é isso: uma oferenda ao deus dos leitores inteligentes.” E o poeta, jornalista e professor de língua e literatura hebraica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Moacir Amâncio, indaga: “Um trabalho como este traz de volta, em primeiro lugar, a pergunta inaugural: o que é poesia, em que medida ela depende de convenções como a métrica, o verso livre, aliterações, rimas, para definir seus ritmos?”


    Use o assento para flutuarterceiro livro de Leo Gonçalves, escrito entre 2005 e 2012, fala de tudo a que a poesia tem direito. “A poesia é palavra calcinada e por isso pode falar de tudo”, comenta Juan Gelman na orelha do livro. Do amor ao humor. Da influência da poesia caribenha e africana a um retrato do mundo pós-queda das torres gêmeas, o livro traz um testemunho do zeitgeist, o espírito da época.

    Ao todo, são 40 poemas, entre inéditos e reedições. “WTC Babel S. A.”, por exemplo, publicado anteriormente na forma de plaquete, em edição artesanal organizada pelo próprio autor, reaparece aqui. Há também poemas publicados anteriormente em revistas, jornais literários, sites e blogues. Marca interessante é a diversidade de técnicas e proposições presentes no livro. A unidade fica por conta de uma voz que busca a todo instante elementos de alteridade e diversidade.

    Artista de múltiplas ferramentas, Leo Gonçalves é também performer, artista sonoro e visual, além de tradutor, ensaísta e divulgador da poesia do mundo. Traduziu em parceria com Mário Alves Coutinho o livro Canções da inocência e da experiência, de William Blake, obra que ficou entre as 50 indicadas do siteUol em 2005. Em parceria com Andityas Soares de Moura, traduziu Isso, de Juan Gelman, publicada na coleção Poetas do Mundo, da UnB. Traduziu também a peça O doente imaginário, de Molière, atualmente em sua segunda edição. Além dessas obras publicadas em livro, também traduziu para revistas literárias poetas como Aimé Césaire, Léopold Sédar Senghor, William Burroughs, Allen Ginsberg, Heriberto Yépez, Gérard de Nerval, Tristan Tzara e muitos outros.

    HOJE: Inicia semana Nelson Rodrigues


    LAMPIÃO, REI DO CANGAÇO: Exemplo de Nordestern

    Guido Bilharinho - Brasil


    Sob o influxo da repercussão e do êxito de O Cangaceiro (1953), de Vítor Lima Barreto, gesta no decorrer da década de 1950 e surge no princípio dos anos 60 o então denominado nordestern, um dos subgêneros do drama, cuja produção fílmica se estende até o final dessa década para ressurgir, com um ou outro exemplar, nos anos 90. Configura espécie de faroeste nordestino, que, no entanto, mais se diferencia do que se identifica com o western, estadunidense ou não.
    Se se descartar, por isolado, O Primo do Cangaceiro (1955), de Mário Brasine, sátira a O Cangaceiro, o nordestern tem início com A Morte Comanda o Cangaço (1960), de Carlos Coimbra (Campinas/SP, 1928-), que ainda realiza mais três filmes no gênero, Lampião, Rei do Cangaço (1962), Cangaceiros de Lampião (1966) e Corisco, o Diabo Louro (1969), cuja qualidade, registrada pela crítica da época, decresce de filme para filme ou, dito de outro modo, cujos defeitos crescem a cada filme.
    Além deles, nessa mesma década, ainda são produzidos nada menos de outros onze nordesterns, a exemplo de Os Três Cangaceiros (1961, também sátira), de Vítor Lima, e de O Cabeleira (1963), de Milton Amaral, baseado no romance bomônimo de Franklin Távora, de 1876, até Quelé do Pajeú (1969), de Anselmo Duarte, e Meu Nome é Lampião (1969), de Mosael Silveira. Nesse mesmo ano surge nova sátira com Deu a Louca no Cangaço (1969), de Nélson Teixeira Mendes e Fauzi Mansur, título diretamente inspirado em Deu a Louca no Mundo (It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World, EE.UU., 1963), de Stanley Kramer.
    Lampião, Rei do Cangaço ainda apresenta atributos ou menos precariedades que os congêneres que se lhe seguem.
    Com base nos livros Lampião, o Rei do Cangaço, de Eduardo Barbosa, e Lampião – Capitão Virgulino Ferreira (título da 5ª edição), de Nertan Macedo, o filme de Coimbra focaliza alguns dos enfrentamentos entre o bando de Lampião e as forças policiais nordestinas, antes, porém, em poucas cenas, informa o motivo principal do surgimento dessa saga mais sanguinária que aventurosa.
    O cangaço é desencadeado de maneira impetuosa a partir da grande seca de 1877/1879 que assolou o Nordeste, conforme lembra Rui Facó (Cangaceiros e Fanáticos, p. 132), agravando e exacerbando condições patrimonialistas altamente concentracionárias e excludentes da estrutura econômico-social da região, preexistindo, pois, de muito, a Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, Serra Talhada/PE, 1898 – 1938). Foi justamente seus contatos fortuitos com um cangaceiro antes do assassínio de seu pai, que lhe teriam indicado o caminho que depois seguiria, de 1917 a 1938, transformando-se no mais famoso e ousado dos cangaceiros que infestaram o Nordeste nas primeiras décadas do século XX, período em que essa prática sobremaneira se intensificou paralelamente ao fenômeno do messianismo, ambos expostos e sintetizados, já com toques de genialidade, por Gláuber Rocha em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), que, todavia, por sua amplitude, abrangência,
    enfoque e significado não se enquadra na categoria, extrapolando-a de muito.
    Já o nordestem propriamente dito não teve preocupação outra que não fosse comercial, cingindo-se nos estreitos limites da narrativa e do espetáculo cinematográfico.
    Lampião, Rei do Cangaço, por isso, não ultrapassa esse nível, não portando nenhuma qualidade cultural e artística.
    Contudo, expõe, com seriedade, a temática elegida, convocando para esse feito os principais atores que se destacaram no gênero, a exemplo de Leonardo Vilar (Lampião), Vanja Orico (Maria Bonita), Milton Ribeiro (um dos imediatos de Lampião, celebrizado anteriormente como ator principal de O Cangaceiro, de Lima Barreto), Glória Meneses (muito travada nesse filme de Coimbra, não repetindo a excelente interpretação de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte), Antônio Pitanga (desenvolto como sempre), Dionísio Azevedo (de destacado papel como padre no filme de Anselmo Duarte), e Geraldo del Rei.
    O filme caracteriza-se, pois, dada sua finalidade congênita, pela ênfase na estória e pela narrativa linear e convencional, destituída de preocupação e elaboração artística e recriação autoral da realidade enfocada e de qualquer tentativa interpretativa do contexto, por mais tênue e longínqua que seja.
    Alguns dos principais lances da saga de Lampião são nele expostos, inclusive seu comissionamento, em 1926, como capitão da Reserva do Exército para combater a Coluna Prestes, contra a qual, no entanto, não lutou, segundo Nertan Macedo porque “informado de que os oficiais pernambucanos não reconheceriam a sua patente, deixou a Coluna Prestes movimentar-se livremente” (op.cit., 5ª ed., p.144).
    Já a respeito da atuação, posição e papel de Lampião, afirma Neil Macaulay:
    “Lampião não era um jagunço comum – um pistoleiro de aluguel, com vida organizada e pacífica, exceto quando chamado às armas por seu patrão – mas um cangaceiro fora de série, um bandido errante, de tempo integral. Frio e cruel, Lampião, em 1926, tinha admiradores declarados; bravo, brilhante, sempre bem vestido, era também um perfeito sanfoneiro cuja toada Mulher Rendeira transformou-se num sucesso permanente no Brasil, figurando até nas paradas de sucesso nos Estados Unidos sob o título de The Bandit. Lampião tinha todos os requisitos de um herói popular e como tal seria festejado após a sua morte. Na década de 1920, no entanto, parecia ser a verdadeira encarnação da maldade”. (A Coluna Prestes. 2ª ed. Rio de Janeiro−São Paulo, Difel-Difusão Editorial, s.d., tradução de Flora Machman, p. 186/187).
    A propósito da Coluna Prestes, esse mesmo atilado brasilianist revela sua natureza e finalidade, responsáveis maiores de seu êxito, além da “coragem e a habilidade de alguns oficiais dedicados – Luís Carlos Prestes acima de todos”:
    “Assim como a caminhada de Siqueira Campos ao longo da praia de Copacabana, a marcha da Coluna Prestes foi empreendida com o propósito de inspirar. A operação não era militar; não fora estabelecida para apreender ou tomar terreno, para destruir o inimigo ou sua vontade de lutar [...] só tinha por objetivo a própria sobrevivência” (op.cit., p. 22


    (do livro O Cinema Brasileiro Nos Anos 50 e 60, editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2009 www.institutotriangulino.wordpress.com)
    __________________________________
    Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba/Brasil e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.
    Envie-nos os seus comentários sobre este assunto por e-mail: r.literatas@gmail.com


    (Publicação autorizada pelo autor)

    Antônio – o menino e o silêncio


    Neide Medeiros Santos - Brasil*
    Neide Medeiros

    As palavras são portas e janelas. Se debruçamos e reparamos, nos inscrevemos na paisagem. Se destrancamos as portas, o enredo do universo nos visita.
                ( Bartolomeu Campos de Queirós)

    “Heróis contra a parede – estudos de literatura infantil e juvenil”  (Cultura Acadêmica, 2010), livro organizado por Vera Teixeira de Aguiar, João Luís Ceccantini e Alice Áurea Penteado Martha trata de assuntos delicados que costumam ser relegados pela crítica.
    No prefácio, Lígia Cadermatori afirma que os textos, compostos com diversidade de assuntos e falados por vozes autorais, não se esquivam de enfrentar temas árduos. “É uma leitura provocativa de representações de crianças e jovens de nosso tempo, postos contra a parede pelas mais diversas e lancinantes razões, e o encontro com questões que hoje se impõem na pauta das discussões do gênero.” ( 2010:p.10)
    Preconceito racial, pedofilia, abuso sexual, violência, bullying, todos esses assuntos são tratados de forma muito séria por escritores e ensaístas. Nada é apresentado de forma velada. A realidade da ficção e da vida é mostrada sem subterfúgios. Os temas apresentados  estão muito presentes na produção literária contemporânea e este livro procura oferecer uma “contribuição significativa “ para todos aqueles que lidam com questões ligadas à infância e à juventude: professores, psicólogos, bibliotecários, educadores de um modo geral.
    “Antônio” (Escrita Fina: 2012), de Hugo Monteiro Ferreira, escritor pernambucano, trata de um desses temas – o problema da pedofilia. De forma muito sutil e simbólica, o narrador introduz um personagem ( uma mão) que era grande, forte, que segurava em Antônio e o impedia de falar.
    De quem era essa mão tão possessiva? Como agia? Há apenas sugestões, o menino silenciava, não contava nada a ninguém, mas aquela mão o atormentava, ela sempre aparecia nas horas que os pais se ausentavam.
    Mesclando o medo de Antônio da mão, que era uma espécie de “bruxa malvada”, a narrativa segue outras direções: há histórias contadas por Olga, a babá que cuidava do menino com desvelos de mãe,  e  histórias contadas pela professora na escola. Interessante que essas histórias tinham sempre um desfecho trágico. Olga trazia o relato de “A menina enterrada viva” e a professora “O soldadinho de chumbo”.
    Quando ouvia a triste história da menina que foi enterrada viva, ele pensava: será que a mão seria capaz de enterrá - lo debaixo da mangueira que havia no quintal?
    Depois que a professora contou a história do soldadinho de chumbo, pediu que as crianças falassem o que sentiram ao ouvir a história. A maioria falou que ficou triste com a morte da bailarina e do soldadinho e que o escritor não devia ter deixado o final assim tão triste. Antônio ficou calado, nada disse. A professora sentiu que havia algo mais no silêncio de Antônio. No término da aula, chamou o menino  e perguntou:
    “ – Antônio, você quer me dizer algo?” (2012:41)
    E veio a revelação do menino:
    “ – Eu queria que o Tio não tivesse mão. Se ele fosse feito o Soldadinho, ele não fazia o que Le faz. Só que o soldadinho não tinha perna, mas o Tio é pra não ter mão.” (2012:41)
    Com esse diálogo entre a professora e Antônio, estava desvendado todo o medo e o silêncio contido do menino durante tanto tempo. A narrativa prossegue, a babá tomou conhecimento do poder nefasto da mão, os pais também, e todos reunidos  encontram uma solução para o caso.
    Em entrevista concedida pelo autor, ele afirmou que escreveu este livro como alerta para as crianças aprenderem a se  defender das mãos bobas que andam fazendo mal, muitas vezes disfarçadas no  meio da família, nas escolas, em locais que não imaginamos que elas possam estar.
    Não poderia de deixar de fazer referências ao trabalho ilustrativo de  Camila Carrosine – Antônio é retratado sempre com os olhos assustados e a mão é escura, tema a aparência de uma  mão de fantasma, aparece como uma sombra nas paredes.  
    Este livro de Hugo Monteiro Ferreira apresenta um “herói contra a parede”. Seria um livro meramente didático se não fosse o tratamento literário dado pelo escritor ao tema. As coisas vão se revelando lentamente, sem atropelos, sem causar impactos.
    As recorrências aos contos infantis – ‘ A menina enterrada viva” e “ O soldadinho de chumbo” foram elementos motivadores para o desvelamento do problema que tanto afligia o menino. 

    *Neide Medeiros Santos é Crítica literária FNLIJ/PB

    A Prosa Cáustica de Antonio Cabrita no Romance “A Maldição de Ondina”

    Silas Correia Leite - Brasil 


    “... A minha principal certeza é o chão
     em que se machucam os meus joelhos
     doloridos/Mas todos os que vierem me
    encontrarão agitando a minha lanterna
     de todas as cores/Na linha de todas 
    as batalhas...” 
     Deslumbramento – Manoel Lopes -


    Como quem não quer nada, de forma cáustica, irônica ou circunstancialmente poética, aqui e ali navalha no palavrear-carne humana (relações e escombros), o autor lusoafricano ANTONIO CABRITA no romance “A Maldição de Ondina” vai levantando lebres/corvos/rinocerontes (acontecências...), apontados trilhas escamosas, como se num desdizer todo próprio e único que abrisse em lascas, repentes nem tão repentes assim, achacadouros – tiradas como se falas-tirinhas de histórias em quadrinhos permeadas no contexto – e vai levantando os panos, os bichos (as lebres...), de seu narrar atrevido, ousado, parecendo como se descompromissado, aqui e ali, variando, mas a pegar o leitor pelo sem-pulo de parágrafos imbuídos no texto que são jóias preciosas, e, às vezes, por que não, atiçadas pérolas aos porcos dos contextos, mesmo ainda assim, ele mesmo, como se com a tal da própria “maldição de Ondina”: subindo à tona do charco humano. Para respirar a luz do que cria;cria no oxigênio do dizer e desdizer atrevido, quase claustrofóbico, a contar e assim se fazer também periscópio de seu tempo-lugar, ele mesmo um “Ondina” submarinado de ser um golfinho-escritor no mar de sargaços da vida muito além da imaginação... E a realidade ainda dói, moendas e engenhos de seus prismas... -Roteiro de entrelinhas, desapegos de fogo, aforismos homeopáticos a sangue frio, e, afinal, janelas-paredes, colônias-nós-mesmos, lusoafricanos, marfins e estrumes, párias e sombras, ombros e desordens íntimas, travessias e fronteiras malditas como legados campos minados de domínios amorais. A áfrica somos todos nós, a espécie humana/desumana? Maldição adâmica numa áfrica ancestral perdida nos tempos da história incabida de sofrências? -Maldição de Ondina destrincha (esparrama) o amor-açougue de almas. “Perfídias?” - “É um conto largo espalhando as suas metástases”, teria dito o autor sobre o romance. Quixotescamente os sobreviventes que nunca acabam sãos, contam as contendas de proprio coldre. Vários pontos de fuga inrompem no romancear, novelar, vinagres de almas brutas, perdidinhas, como ovelhas desgarradas no redil das aparências. De novo a tal da maldição de ondina impregnada no escrever/criar/sentir do autor? Moçambique sangra por seus horizontes e seres atiçados. Que bicho-de-prata morde as missangas de quem escreve nesses cantões, carunchando ideias, reativando outras, pondo olhares desesperados em situações irreconhecivelmente humanas? Ah o caos se acostumando ao delirio de fazer parte dele, nem ócio de oficio, nem inutensilio desvairado... O império, o colonialismo, soslaios de ressentimentos, polos-rancores, poros-expressões de sequelas... -Alta sensibilidade (fio de navalha) turbina o tresloucamento literário que vanguardeia de ser vivíssimo de dar dó, de dar susto, de ler e ficar com medo da próxima página de enfabulação e retórica estridente. É o artista que migrou de Portual pra África, e dessa áfrica que agoniza a derrama do pós-império... A miséria e a violência estetizadas... Ainda range a áfrica... Miseris Nobilis rogai por nós! -Nada é perfeito e acabado, e tudo está podre, penso, ao ler “A Maldição de Ondina” de Antonio Cabrita, paradoxalmente parafraseando o poeta-dramaturgo Bertold Brecht. Vidas desterradas que se cruzam. Palavras cruzadas em disparidades de coexistências sofridas, incompletas; fugas íntimas e externas. E as estórias em linhas paralelas, um crime, os estranhos jos ninhos. Um professor (Cesar) escritor de romances policiais. Moçambicano. Raul, um amigo, policial com faro fino. Beatriz, mulher-vitima de Cesar, nas incompletudes das lidas acadêmicas. Argentina, amante de Cesar, pavio curto. Aurora – a metáfora da obra a clarificar relações? - antiga ama-seca com sua dor (aleijamento), e outros desperdícios de vidas entre seres entrevados vão semeando vacâncias existenciais no romance. -A oralidade mapada da obra, datada na narrativa, intercalada de pensagens (pensamentos-mensagens) que mais são ironias e sacadas – as tirinhas de histórias em quadrinhos de jornais – mais as ratazanas de dentro e de fora do poder. Que meia mentira é meia vardede? Os miseráveis de sempre à míngua. Os flashs se intercalando a desditas, sonhos, ilações, memorias desterradas, chagas e cegueiras, emendas e reconstruções de. Tudo é exilio de. A áfrica toda não é um exilio continental? E há a diáspora intima de cada um. A consciência africana pesada na balança da historia é achada em falta. Mágoas ressentidas dão o que criar. A mão que balança o berço da ciivilização é salmoura pura? Fica a imagem-ideia. Ah mares de um período colonial... quanto de teu sal... são lágrimas de remorso de um antigo Portugal?... Toda colonizador ficou rico impunemente. E as colônias ainda (bem que) sangram artes pelo ladrão... -Mas as cicatrizes ainda purgam... São tantos os fantasmas. E os fósforos das criações iluminando cada recanto-divisa/fronteira do mundão africano para o mundão sem porteira todo, amoral globalizado. Salvos pela arte historial, desde as escritas das cavernas aos escritores que destravam caverna de olhares estrambólicos, lúcidos, portentosos? Que honra há, em partilhar o inferno – com seus traficantes de sombras – o que afinal soçobra? – A ressaca e a paranóias aos quatro ventos, condimentando infernos infinitos e particulares. O jogo de bisonhos biombos da vida? Mundo cão. -“Dá medo fechar os olhos num mundo em que as gotas de chuva não são inocentes” – Pg. 237. -Rita Hayworth dança um fado no limbo. A lua universal da mama áfrica sangra. Feridas acesas. A escrita de Antonio Cabrita desengarrafou a alma da África na literatura que vingou muito além de flagelos. -Por isso o romance A MALDIÇÃO DE ONDINA é, por assim dizer, de domínio público desde sempre. E a obra fez-se carne. E a carne ainda ramifica os veios de contações da terra-mãe. E dos filhos deste solo. A fava-rica é para quem surta?

    NOTÍCIAS: Guia de Salvador escrito por Jorge Amado será relançado em agosto


    A reedição de 1986 de ‘Bahia de Todos-os-Santos — Guia de ruas e mistérios de Salvador' mostra as visões do escritor sobre a capital baiana

    Além dos famosos e populares romances, o escritor Jorge Amado também se dedicou a outros prazeres literários, entre eles está o ‘Bahia de Todos-os-Santos — Guia de ruas e mistérios de Salvador', que como diz o título é um guia sobre a capital baiana. O livro será relançado no próximo mês, 26 anos depois da última edição.
    Publicado pela primeira vez em 1945, o guia ganhou revisões em 1960, 1966, nos anos 1970 e em 1986, sempre atualizando o leitor sobre a cidade e a vida cultural de Salvador. A última adaptação feita por Jorge Amado, de 1986, chega às livrarias pela Companhia das Letras em agosto, revelando o que o escritor  destacava da cidade no período.

    De 1945 para 1986, muita coisa mudou, como o próprio Jorge dizia. Se em 45, ele considerava a cidade, com seus 300 mil habitantes, “provinciana, descansada, tranquila, doce, bela e única”, 21 anos depois, já com quase 2 milhões de habitantes, ele conta como Salvador havia se tornado uma metrópole “ruidosa, movimentada, turbulenta, sua doçura fundamental entrecortada de violência”.
    O retrato da Salvador dos anos 80 para os dias atuais mudou muito, aquelas características que ele destacou só aumentaram, assim como a população, que hoje gira em torno de 2,7 milhões moradores. Assim mesmo, muito de sua vida cultural, suas ruas, seus mistérios e seus personagens permanecem.

    O hábito de falar mal da cidade, e de suas opções culturais e de lazer, parece tão antigo quanto a própria cidade. Pelo menos nos anos 40 já era assim, quando Jorge Amado descreve Salvador como "uma cidade pobre de hotéis, paupérrima de restaurantes, sem teatros e com pequena vida noturna".
    Anos depois ele atualiza as reclamações, com as queixas também seguindo os avanços da capital. Em 1986, ele dizia no guia que “falamos mal dos hotéis, dos restaurantes, dos cabarés. Falemos agora mal dos cinemas". E completava: "A Bahia ainda está à altura do cinema que merece”. Talvez hoje, caso fosse atualizar, a reclamação se voltasse para outros pontos, mas permaneceria.

    Igrejas - Entre os itens descritos pelo guia estão as igrejas, que ganham um capítulo exclusivo. Entre tantas, uma que ele ressalta é a famosa Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Negros, no Pelourinho, construída no século XVIII, e recentemente reaberta, após mais de um ano de obras de recuperação arquietetônica. “Sempre cheia de gente, extremamente ligada aos ritos do candomblé”, é como Amado a descreve.
    “Diz a lenda que a cidade do Salvador conta com 365 igrejas, uma para cada dia do ano. Dizem os amigos dos números exatos que entre igrejas e capelas elas somam 76. Pouco importa”, diz o escritor sobre a fama do número de igrejas na cidade.
    Trata ainda dos costumes do povo, seus mistérios, sua mestiçagem e seu sincretismo. Fala das igrejas, mas também das macumbas, dos terreiros, as comidas típicas, sa lavagem da igreja de Nosso Senhor do Bonfim, das homenagens a Iemanjá e a são João, entre outras festas populares.
    O autor descreve também os bairros proletários e os nobres, as feiras e os mercados, as inúmeras ladeiras e ruas da cidade, e apresenta as praias locais, como Itapuã, Amaralina, Pituba e o Farol da Barra.

    Personagens - Muitos dos personagens que destacava nas atualizações do guia ainda permaneciam na última edição de 1986 e ainda hoje se destacam no meio cultural baiano. “Dos filhos de Caymmi, (João Gilberto é) o mais louco e o mais angelical. Dos segredos das camarinhas surgiu Gilberto Gil, acento negro na voz límpida, melodia que desce da senzala para conquistar a praça e o poder. Da festa de Nossa Senhora da Purificação em Santo Amaro, de comício impossível, proibido, desembocou Caetano Veloso, barco em mar de temporal”.
    Entre outros nomes citados no guia estão o escultor Mário Cravo, a fotógrafa Arlete Soares e mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

    "O livro é um canto de amor à cidade, contando da história, da gente, do sentir, da beleza, dos grandes personagens ali nascidos e criados e, sobretudo, da maneira de ser única e original dos habitantes" — diz a filha do escritor, Paloma Amado, em entrevista ao Jornal O Globo sobre o livro. 
    http://www.ibahia.com

    Filosofonias - Marcelo Soriano


    Marcelo Soriano - Brasil

    Nota preliminar: Antes de prosseguir com este artigo, lembro ao leitor que me dirijo à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), portanto, podemos encontrar gerúndios, futuros do pretérito, expressões etnocêntricas, familiares a certos leitores, porém, inusitadas a outros. Oxalá, que esta peculiaridade não seja pretexto para correções, mas para integrações e enriquecimentos léxicos e culturais entre nós. Marcelo Soriano. Santa Maria - RS - BR. 14/07/2011.





    1. Breviário Ébrio

     Todo o boteco tem algo de solidão coletiva.
     Decisão importante: Tomar um Rum na vida.
     A bebedeira é uma ética etílico-psicodélica.
     Não há solidão mais bêbada que a da azeitona no Dry Martini.
     O caramujo do bêbado é o barril.
     Amigos chatos nos ensinam que devemos ser tolerantes.
     O fundo do poço e o fundo do copo são correlatos.
     Tinham egos tão frágeis que, quando se encontravam, faziam tim-tim.

    2. A Morte do Rei

    Imperador do chorume, Yohoy empunhou a garrafa como se fosse um cetro.
    Moscas cingiram-lhe em coroa o tampo do crânio cabeludo. Aos borbotões, ratazanas
    vieram do nada, roendo-lhe as raivas, carcomendo-lhe os concretos, pulverizando-lhe
    em restos... Pó de osso. Farinha da loucura... Em uma fração de soluços, Yohoy
    transformara-se em rasa montanha. Uma duna branca de vício pronta para ser inalada.
    O cetro caído ao lado voltou a ser mera garrafa de espumante descartada.

    3. Monólogos Póstumos com Quintana - Parte VII

    “ Se um poeta consegue expressar a sua infelicidade com toda a felicidade,
    como é que poderá ser infeliz?”
    Mário Quintana
    Eu a ele: Eis-me ali... Sob os olhos da Górgona interior... Ante o Evangelho das
    Divagações... Enfim só... Perplexo... Por instantes, letrificado para todo o sempre no
    meu papel vazio...
    Ele a mim: Amanhã nosso dia recomeçará, com o nome de ‘Todo o Santo Dia’...
    Repovoado por recantos, releituras, ressalvas... E repassarinhos...

    Ungulani Ba Ka Khosa: A África que o Brasil não conhece


    Adelto Gonçalves - Brasil

    Escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa

    I

    Enquanto as universidades e editoras portuguesas e brasileiras, praticamente, só estudam e publicam autores africanos lusodescendentes – com as exceções de praxe, na área editorial, como a Editorial Caminho, de Lisboa, que tem tradição na área –, pouco se lê sobre romancistas, contistas e poetas africanos autóctones ou mestiços que utilizam a Língua Portuguesa como meio de expressão. E, no entanto, em poucos anos, se a Língua Portuguesa – a língua do invasor e do colonizador – quiser sobreviver no continente africano – e com ela todo o legado lusófono –, será mesmo dos autores autóctones que dependerá.
    Esse incompreensível silêncio – que reflete, pelo lado português, segundo o professor Patrick Chabal, do King´s College de Londres, certa saudade colonialista ainda não superada e, pelo lado brasileiro, descomunal desconhecimento em relação a assuntos africanos – é o que explica que um livro como Emerging Perspectives on Ungulani Ba Ka Khosa: prophet, trickster, and provacateur, preparado pelo professor Niyi Afolabi, ainda não tenha sido editado no Brasil nem em Portugal. E que, para lê-lo, tenhamos de recorrer à edição da Africa Press World Pres, Inc., com sede em Trenton, New Jersey, EUA, e em Asmara, na Eritreia, país do Nordeste da África, antiga colônia italiana, às margens do Mar Vermelho, que se separou da Etiópia em 1991.
    Pouco conhecido do público-leitor brasileiro, Khosa (1957) não teve até hoje obra publicada no Brasil, mas esteve em São Paulo em novembro de 2010 para participar de um encontro na Casa das Áfricas e de um debate na Biblioteca de São Paulo sobre “O negro na literatura internacional”, que teve a mediação de Carmen Lucia Tindó Secco, doutora em Literatura Brasileira e professora de Literaturas Africanas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
    Trata-se de um dos mais importantes autores moçambicanos de sua geração, ganhador do Prêmio José Caveirinha de 2007 por seu livro Os Sobreviventes da Noite. Outro galardão que atesta a qualidade de sua obra é o Grande Prêmio de Literatura Moçambicana de 1990 por Ualalapi, que foi assinalado como um dos cem melhores livros africanos do século XXXX. No Brasil, Khosa já havia estado em 1987 para participar do lançamento da antologia Sonha Mamana Africa, preparada pela professora e jornalista Cremilda Medina de Araújo, da Universidade de São Paulo (USP ).
    Nascido em Inhaminga, província de Sofala, Ungulani Ba Ka Khosa é o nome tsonga – grupo étnico do Sul de Moçambique – de Francisco Esaú Cossa, bacharel em História e Geografia pela Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, professor de carreira e atual diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco, de Moçambique. Khosa também exerceu a função de diretor-adjunto do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual de Moçambique, participando na elaboração de roteiros e jornais cinematográficos. Filho de pais enfermeiros, Khosa completou os estudos secundários na Zambézia e tornou-se professor em 1978.
    É autor de seis livros, Ualalapi (1987), Orgia dos Loucos (1990), Histórias de Amor e Espanto (1993), No Reino dos Abutres (2001), Os Sobreviventes da Noite(2005) e Choriro (2009). Co-fundador da revista literária Charrua, na década de 90, tem escrito crônicas e artigos para vários jornais africanos. Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos, recebeu ainda o prêmio Gazeta de Ficção Narrativa (1988), além de ter sido homenageado em 2003 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

    II

    Essa vasta obra justifica o livro que Niyi Afolabi, doutor em Estudos Africanos e Portugueses pela Universidade de Wisconsin-Madison e professor de Literaturas Brasileira, Ioruba e de Estudos da Diáspora Africana da Universidade do Texas, de Austin, EUA, preparou, reunindo quinze ensaios escritos por estudiosos de várias partes do mundo, além de entrevistas e excertos de textos do autor. Na maioria, os textos estão em inglês – inclusive, excertos dos livros –, mas há seis ensaios em português.
    Entre esses, destacam-se “Transculturação e representatividade lingüística em Ungulani Ba Ka Khosa: um comparatismo da solidariedade”, de Nataniel Ngomane, professor do Departamento de Lingüística e Literatura da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP ), e “O outro na representação da identidade nacional nas obras de Mia Couto, Suleiman Cassamo e Ungulani Ba Ka Khosa”, de Christoph Oesters, doutor pela Universidade de Utrecht, Holanda, com a tese “Figuras do Outro: identidades pós-coloniais no romance moçambicano contemporâneo” (2005).
    Os demais ensaios são de Ana Mafalda Leite, professora de Literatura Africana Lusófona da Universidade de Lisboa, António Belchior Vaz Martins, autor de Teoria e Práticas de Análise da Narrativa: as mitologias apocalípticas e Ualalapi de Ungulani Ba Ka Khosa (2004), Daniela Neves Lima, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Belo Horizonte, e Ebenezer Adedeji Omoteso, coordenador de Estudos Portugueses no Departamento de Línguas Estrangeiras da Universidade Obafemi Awolowo, da Nigéria.
    Além da introdução “Quem tem medo de Ungulani Ba Ka Khosa?”, de Niyi Afolabi, igualmente traduzida para o português, há estudos de Jared Banks, doutor em Línguas e Literaturas Africanas pela Universidade de Wisconsin-Madison, Gilberto Matusse, professor do Departamento de Lingüística e Literatura da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Anne Sletsjoe, professora de Literatura Portuguesa da Universidade de Oslo, Noruega, Sophia Beal, doutoranda em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Universidade Brown, EUA, Sunday Bamisile, doutorando em Literatura Comparada pela Universidade de Lisboa, e do próprio organizador do volume.

    III

    Como se vê por aqui, Khosa é um autor já largamente estudado por críticos de outras línguas. E que há muito já deveria ter sido editado no Brasil. Aliás, desde o seu primeiro livro, Ualalapi, romance histórico e primeira obra de ficção que se dedica exclusivamente ao passado colonial de Moçambique e conta a ascensão de Ngungunhane, imperador de Gaza, famoso pela resistência que opôs aos portugueses ao final do século XIX, até o fim de seu império.
    Como observa Oesters, o livro é construído a partir de fragmentos históricos, comentários de oficiais portugueses envolvidos na campanha contra o líder africano. São seis contos que acabam por reconstituir na imaginação episódios daquele período, formando um romance. O importante, porém, é que, ao contrário do que comumente se pode imaginar, o livro não apresenta Ngungunhane como um “grande líder” nem se preocupa em relatar seus possíveis feitos históricos contra a violência do domínio colonial, como foi feito no período pós-independência (1975). “Em vez disso, dedica-se muito mais a uma representação de Ngungunhane que corresponde à realidade histórica, mostrando a imagem de um tirano cruel em relação a outros povos africanos, mas também para com seu próprio povo”, diz Oesters.
    Oesters observa que o “Outro” na obra de Khosa aparece na forma dos “brancos, do outro lado do mar”, mas em breves referências. Numa delas, refere-se à morte de Ngungunhane no exílio “em roupas que sempre rejeitara e no meio da gente da cor do cabrito esfolado que muito se espantara por ver um preto”.

    IV
    Já Nataniel Ngomane, em seu ensaio, faz um paralelo entre a obra de Khosa e a dos autores latino-americanos do boom, a partir da constatação de que as culturas de ambos os lados são historicamente mestiças, “como produto do contato entre elementos indígenas – em si já bastante diversificados –, africanos e aluviões imigratórios europeus e asiáticos, na América Latina, e de elementos indígenas – não menos diversificados que aqueles –, árabes, asiáticos e europeus em Moçambique”.
    Ngomane ressalta que essa situação vem sendo explorada por narrativas como as de Khosa e de Mia Couto que, “no intuito de representar a conjugação dos imaginários e atitudes aí presentes, acabam por configurar processos culturais diversos”. Para tanto, vale-se da já clássica obra Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar (Havana: Letras Cubanas, 1991), de Fernando Ortiz (1881-1969), publicada pela primeira vez em 1940, tão estudada no Departamento de Letras Modernas da USP , mas que, incompreensivelmente, ainda está à espera de publicação por editora brasileira.
    Ngomane ressalta que, além de utilizar termos de origem bantu, “desconhecidos da maioria dos leitores em português, Khosa incorpora em sua linguagem a descrição de universos culturais a que esses termos se vinculam”. Ou seja, Khosa salpica seu texto com expressões verbais de origem bantu, mas o faz de uma maneira mais palatável ao leitor, explicando os termos no próprio texto, sem recorrer a um glossário no final do livro ou a notas de rodapé.

    V
    Obviamente, ninguém é contra que professores de outros mundos não lusófonos se preocupem em estudar as literaturas africanas de expressão portuguesa. Pelo contrário. O que se lamenta é que tanto em Portugal como no Brasil se dê tão pouco espaço aos escritores africanos autóctones que se utilizam da língua portuguesa. Até porque, como observa Perpétua Gonçalves em Português de Moçambique: uma variedade em formação (Maputo: Livraria Universitária e Faculdade de Letras da UEM, 1996), citada por Nataniel Ngomane, só uma minoria em Moçambique que teve acesso à escola (25%) e que habita nos centros urbanos (17%) fala português.
    Como o país é formado por muitas nações e 95% da população têm como língua materna uma língua bantu, por enquanto, o Português serve como uma espécie de tertius(neutro) para a língua oficial, já que, se um grupo étnico local quiser impor a sua língua como a predominante, com certeza, irá causar insatisfação entre os demais. Mas, se Portugal e Brasil continuarem de costas viradas para a África, não será difícil que Camões (c.1524-1580) seja substituído por Shakespeare (1564-1616) em pouco tempo. Até porque a África do Sul é logo ali. Depois, não digam que ninguém avisou.

    Quarta cultural exibe documentário sobre a seca de 1932



    A Quarta Cultural desta semana apresenta o documentário “Caminhando ao Campo Santo”, que retrata a história sobre a ‘Caminhada da Seca’, evento tradicional religioso que acontece no município cearense de Senador Pompeu. A exibição, que é gratuita e aberta ao público, começa às 19h, no Anfiteatro do Campus da Liberdade da Unilab, em Redenção.
    O filme apresenta os aspectos históricos, a devoção e a fé da comunidade nas Santas Almas da Barragem, em memória dos flagelados do “campo de concentração” da seca do ano de 1932.
    Dirigido pela cineasta Karla Samara, o documentário “Caminhando ao Campo Santo” é composto por depoimentos de sobreviventes ainda lúcidos, religiosos e demais envolvidos nesse fato.

    Caminhada da Seca

    A Caminhada da Seca acontece em Senador Pompeu há 28 anos. Motivados pela fé e devoções espontâneas, no segundo domingo do mês de novembro, devotos das Santas Almas da Barragem partem da Igreja matriz ao cemitério da Barragem do Patu.
    Em virtude da grande seca que assolou o Nordeste brasileiro, milhares de sertanejos cearenses foram aprisionados em “ campos de concentração” em pontos estratégicos do Ceará, com o objetivo de impedir a invasão por parte dos flagelados da seca em Fortaleza, como ocorrera em secas anteriores. Um dos campos de concentração foi instalado em Senador Pompeu, que ficou conhecido, na época, como “curral da fome”.

    Sobre a cineasta Karla Samara

    A jovem cineasta Karla Samara, 21 anos, actua como editora de vídeo, fotógrafa, atriz, mobilizadora cultural e voluntária na ONG Instituto Casarão de Cultura e Cidadania. O Instituto realiza atividades em diversas áreas, como arte, educação ambiental, patrimônio histórico, cultura popular e cultura digital. Situado em Senador Pompeu, a instituição tem provocado importantes transformações nas comunidades em que atuam, com missão de transformar a vida no semiárido através da arte.

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