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    ENSAIO: Bandeira e Cabral: poéticas entrecruzadas


    Joaquim Branco* - Brasil

    João Cabral de Melo Neto

    Lirismo e antilirismo na poesia de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, em confronto comparativo, a partir da noção bipolarizada que se tem de suas obras, que situa o primeiro como escritor mais voltado para o lirismo e o segundo como um poeta-engenheiro, com o objetivo de se dessacralizar esta visão puramente maniqueísta da crítica em relação aos dois autores.

    Palavras-chave: Poesia moderna. Tradição. Ruptura. Lirismo. Antilirismo.

    Rondó dos cavalinhos no canavial

    Por princípio seria cômodo e esquemático estabelecer criticamente as características do lirismo de Manuel Bandeira e do antilirismo de João Cabral de Melo Neto, como projetos antagônicos do fazer poético.
    Mas não é essa a nossa proposta. O que pretendemos é pesquisar algo de lírico e de antilírico nas obras de ambos, confrontá-las, e perceber como esta bifurcação se une e volta a se concretizar na construção de obras igualmente importantes para o nosso tempo.
    Onde se esboçam – aparentemente – tantos antagonismos podem-se cruzar pontos de identificação, como na teoria do filósofo Mário Ferreira dos Santos em sua obra Filosofia concreta, citada pelo historiador Sidney Silveira em artigo de jornal, a propósito de Marcel Proust e Machado de Assis (Silveira, 2000, p. 4)
    E Bandeira e João Cabral situam-se muito bem, o primeiro como um dos mestres do nosso Modernismo, cuja poesia atuou (veja-se “Os sapos”) criticando o passadismo de nossos parnasianos, mesmo não tendo participado pessoalmente da Semana de Arte Moderna; e o segundo, como consolidador da estética moderna, erguendo os alicerces de uma poética que apontou para novos caminhos no pós-moderno e construindo uma obra de características universais.
    Ambos alinham-se com Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Cecília Meireles, Mário e Oswald de Andrade, para formar um conjunto de nomes cujas obras têm um lugar de destaque na formação de uma nova literatura no Brasil.
    Esses dois pernambucanos, com dicções tão diferentes na formulação de sua comunicação poética, se identificam no rasgo imaginativo, na coerência ética, na preocupação com o próximo (leia-se: com o social) e principalmente na qualidade e agudeza dos trabalhos.

    A lira no tempo

    Foi no século XIX, período do Romantismo, que a poesia lírica, encontrando terreno propício, se desenvolveu, adquiriu contornos próprios, firmando-se definitivamente como gênero.
    Tempo propenso às efusões do subjetivo e das emoções, a época romântica deu aos poetas a liberdade de que precisavam para sua expressão. Anteriormente, no Trovadorismo, quando apenas iniciava seu desenvolvimento, no Classicismo – com acento no épico – e no Neoclassicismo – entre o pastoreio, o barroco e o Iluminismo –, não houve uma valorização maior da chamada poesia lírica.
    No século XX, grandes transformações vieram sacudir a literatura e a sociedade, e com isso sobraram caminhos, faltando, no entanto, um lugar mais claro e determinado para a poesia lírica, mesmo porque a prosa de ficção, que se desenvolvera a partir do Oitocentos, ocupava cada vez mais um lugar de destaque.
    Como situar o poeta numa sociedade mecanicista e desprovida da Corte e dos saraus novecentistas, das belezas do campo e vivendo a própria crise do belo?
    Como entender esta figura colocada dentro da urbe, entre o comércio varejista e as vitrines dos grandes magazins, perdido entre ruelas e boulevards, entre passantes e automóveis, dentro de vagões e transatlânticos?
    Sem o seu pedestal erguido junto às aristocracias e sem poder ou função perto da nova burguesia – demasiadamente prosaica ou desinteressada –, o poeta moderno viu-se de repente tendo que procurar dentro de si novas forças, o que significou a busca desesperada de uma saída. E parece que ele foi encontrar na linguagem a solução para as suas angústias e interrogações.
    Só que o lirismo – racional e controlado no Classicismo e atordoadamente voltado para a problemática pessoal no Romantismo, – iria encontrar eco num eu-lírico super-ampliado pela própria noção de gênero que se esfacelava frente às demandas de formas renovadoras de expressão. O texto então se repartiu entre autor e leitor, e este ganhou uma função complementar através da leitura participativa. Jorge Luis Borges chegou a afirmar, certa vez, que a parte que cabe ao leitor é tão importante quanto a do escritor, pois pertence a ele a fase da consumação (e do consumo) da obra de arte, e daí toda a teoria da recepção do texto.
    Entre uma nova maneira de ver o mundo e o manejo da linguagem, em que a forma muitas vezes pode ensejar o conteúdo, é imprescindível a existência de um novo artista, lírico ou não: o poeta moderno.
    Enfim, o poeta encontra o seu lugar. Não no olhar subjetivo para dentro de si, como o caracol simbolista, nem na prisão na torre de marfim parnasiana, sequer nas masturbações românticas, mas na matéria-prima de que sempre se utilizou para criar: a linguagem, fonte e tema para sua viagem fantástica através das páginas dos livros, dos jornais e das revistas.



    O canivete contra a faca só lâmina

    Manuel Bandeira

    Conhecido pela leveza de estilo, como poeta-cronista, cantor das andorinhas, e por isso injustamente chamado de “poeta menor”, Manuel Bandeira criou um confortável nicho, na ampla faixa de tempo em que atuou, pela emoção trazida na sua vara de condão, com poderes para fazer aparecer à nossa frente as três mulheres do sabonete Araxá ou as duas índias do leste.
    E com essa emoção, surge um eu-lírico todo especial, ora vazado na circunstância transformada em eternidade, ora na meditação sobre um passado cuidadosamente desembrulhado para o leitor. Toda essa disposição por assim dizer lírica pode de repente se transmutar para o épico-moderno misturado com brincadeiras e ironias adolescentes:

    Em Pasárgada tem tudo
    é outra civilização
    tem um processo seguro
    de impedir a concepção
    tem telefone automático
    tem alcalóide à vontade
    tem prostitutas bonitas
    para a gente namorar.
    (Bandeira, 1961, p. 87)

    A estrutura concretista foi visitada por Manuel Bandeira que, do mesmo modo que Drummond, Murilo e Cassiano Ricardo, fez os seus experimentos, mostrando uma espécie de adaptação para a poesia que surgia nos anos 50/60, como neste “A onda”:

    a onda anda
    aonde anda
                  a onda?
    a onda anda
    ainda onda
    ainda anda
                  aonde?
                  aonde?
    a onda a onda
    (Idem, 1963, p. 61)



    Do Beco das Carmelitas ao Engenho Trapuá

    João Cabral, por seu turno, traçando trajetória oposta, inscreveu o poema na pedra, nos trapos dos algodoais, na lâmina da cana, com o chicote do vento e o arremedo da moenda. Mas não deixa escapar o momento lírico, como neste “A palavra seda”:

    A atmosfera que te envolve
    atinge tais atmosferas
    que transforma muitas coisas
    que te concernem, ou cercam.

    E como as coisas, palavras
    impossíveis de poema:
    exemplo, a palavra ouro,
    e até este poema, seda.

    É certo que tua pessoa
    não faz dormir, mas desperta;
    nem é sedante, palavra
    derivada da de seda.
    (Melo Neto, 1975, p. 158)

    Seu eu-lírico, com o peito aberto, enfrenta o canavial, na agrura do agreste pernambucano, nos mistérios de Sevilha, ou na Mancha, mas ao sentir como o “automobilista infundioso” os frescos cheiros da Provença, pode ir, num átimo, “do timo à alfazema”, para surgir plena e exuberantemente lírico.

    [...]
    É viajar nos cheiros castos,
    ainda vegetais, em mato:
    do casto normal de planta,
    do sadio, de criança.
    (Idem, 1968, p. 52)

    Ou em “Paisagem pelo telefone”, em que o poeta não consegue esconder a variação lírica tal a sua intensidade para retratar uma cena em que está inteiro o componente feminino:

    [...]
    Pois, assim, no telefone
    tua voz me parecia
    como se de tal manhã
    estivesses envolvida,
    fresca e clara, como se
    telefonasses despida,
    ou, se vestida, somente
    de roupa de banho, mínima,
    [...]
    (Ibid., p. 135)

    Demonstrada em páginas de teoria e de entrevistas, a visão cabralina quer parecer de pedra, dura, cerebral, preparando o torpedo milimetricamente para atingir “seu alvo no Pacífico”, mas, nas mãos de pilão ou nos dedos do canavial, na onda que vira musa recostando o perfil contra a paisagem marinha, de repente deparamos com o mais sensível dos humanos.
    Bandeira – um passarinho que passou a vida à toa, à toa – se identifica com os joões gostosos moídos diariamente no grosso tecido social brasileiro, que vai sendo rasgado e remendado nas páginas dos jornais e na tragicidade das noites. E não se conforma com as pessoas simplesmente paradas na porta do bar, vendo o enterro passar indiferentes. Em “O cacto” revela-se o Bandeira bem terra-a-terra, quase irreconhecível para os que só conhecem o poeta das noites de São João e das saudades da infância:

    [...]
    O cacto tombou atravessado na rua,
    quebrou os beirais do casario fronteiro,
    impediu o trânsito de bondes, automóveis e carroças,
    arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
    privou a cidade de iluminação e energia.
    – Era belo, áspero, intratável.
    (Bandeira, 1967, p. 246)

    Manuel e João

    É Bandeira quem afirma, em entrevistas e na praxis, a primazia da inspiração, tal como sempre se professou entre os poetas mais antigos. Do outro lado, estaria a transpiração cabralina em altas porcentagens. Bandeira navega no fio da navalha, dentro de um lirismo controlado pela intuição poética que orienta e não deixa nunca resvalar para o lugar-comum e o lacrimejante, mas numa perigosa fronteira em que muitos poetas já se perderam.
    Cabral usa um ‘falso’ prosaísmo, o antídoto ‘graciliano-ramos’ da dissecação, o poema a palo seco, o filtro anti-meloso, como a prevenir contra uma possível recaída da nova poesia em horizontes romântico-penumbrosos. Sua maneira é esta. Fala, exagera até na contenção e na fala. É a sua preparação de fortes diques contra os fantasmas dos clichês e frases-feitas e da onda anti-modernista de seu tempo. Com isso, precisa negar a sua lírica, que no entanto existe, é pungente e nos conforta ao revelar um poeta mais que completo. 
    Dialogam os dois na poesia e na vida, brigando contra o ranço e a estagnação que impregnam a má tradição literária. São ambos poetas da mais alta estirpe, e suas obras estão aí para comprovar essa afirmação. É só conferir e, para isso, ler.


    BIBLIOGRAFIA

    BANDEIRA, Manuel. Antologia poética - Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 2a. ed., 1961.
    ______. Bandeira - seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: José Olympio, 3a. ed., 1979.
    ______. Estrela da tarde. Rio de Janeiro: José Olympio, 1963.
    ______. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 4a. ed., 1973.
    ______. Manuel Bandeira - Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 2 ed., 1967.
    BARBOSA, João Alexandre. A imitação da forma - uma leitura de João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Duas Cidades, 1975.
    BRASIL, Assis. Manuel e João - dois poetas pernambucanos. Rio de Janeiro: Imago, 1990.
    CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Publifolha, 2000.
    CARA, Salete de Almeida. A poesia lírica. São Paulo: Ática, 1986.
    COSTA LIMA, Luiz. Lira e antilira - Mário, Drummond, Cabral. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
    MELO NETO, João Cabral de. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1966.
    ______. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio/Sabiá, 1968.
    ______. Terceira feira. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961.
    MERQUIOR, José Guilherme. A astúcia da mímese - ensaios sobre lírica. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972.
    ______. Razão do poema - ensaios de crítica e de estética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
    NUNES, Benedito. Poetas modernos do Brasil - 1. João Cabral de Melo Neto. Petrópolis: Vozes, 1971.
    SECCHIN. Antonio Carlos. João Cabral: a poesia do menos. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1985.
    SILVEIRA, Sidney. “Memória, humor e amor em Proust e Machado: semelhantes na diferença”, in O Globo, supl. Prosa e Verso, 22.7.2000.
    VERNIERI, Susana. O Capibaribe de João Cabral em O cão sem plumas e O rio: duas águas? São Paulo: Annablume, 1999.

    _____________________
    (*) Joaquim Branco
    Nome completo: Joaquim Branco Ribeiro Filho
    Instituição: FIC – Faculdades Integradas de Cataguases
    Função: professor doutor (Literatura Brasileira)

    ENSAIO: Neto e as gerações literárias do Póst-Independência


    J.A.S. Lopito Feijóo K. - Angola

    Foi em Setembro que nasceu e morreu o poeta Agostinho Neto. Primeiro presidente de Angola e o maior exemplo intelectual para as gerações literárias angolanas do póst-independência. Nascido há exactos 90 anos, numa fria manhã em Kaxicane na freguesia de S. José no Conselho de Icolo e Bengo do então distrito de Luanda, filho de catequista de uma missão americana que foi mais tarde pastor e professor na região e de mãe professora primária.
    Segundo D. Mestre, consta que na altura, “a pequena burguesia (administrativa e mercantil) africana estabelecida e com estatuto próprio na sociedade colonial, entrava na derradeira etapa do seu aniquilamento enquanto elemento participante da vida económica e social de Angola. Agostinho Neto viveu os primeiros anos da sua vida nas paragens verdes de Kaxicane, que situada numa antiga via de penetração do comércio do litoral no interior, ecoou para Luanda com os restantes portos fluviais da região navegável do rio kwanza, uma plêiade (de jovens) que ainda no século passado se mostrou activa e aguerrida na defesa dos seus interesses e dos seus irmãos de raça e infortúnio, na imprensa da época”.
    Neto fez-se poeta telúrico e de referência universal por isso mesmo a estudiosa russa Helena Riauzova dizia em tempos, que a poesia de A. Neto foi sempre de luta e neles estão visíveis a dor e o sofrimento do povo angolano assim como a coragem e a decisão inabalável de lutar pela liberdade e pela total independência da pátria que o viu nascer. Na poesia de Neto sempre esteve a esperança, confiança e até a alegria da vitória do próprio povo.
    Poesia consciente, cheia de entusiasmo, premonitória e de elevado civismo. São traços graças aos quais ocupa um lugar importantíssimo não só na cultura e literatura angolana, mas também na literatura lusófona, africana e universal. Neto era fundamentalmente um homem de paz pelo que de entre outros, foi laureado com o prémio “Lotus” da associação dos escritores Afro-Asiáticos e com o prémio internacional “Lénine” pelo seu surpreendente engajamento no fortalecimento da amizade, solidariedade e paz entre todos os povos.
    Os escritos de Neto são de uma completude sonhadora universal e acarretam uma profundidade filosófica entre nós inigualável pois até a necessidade de educação e instrução com vista a armazenar o saber que fortalece a nossa cultura geral, perpassa por toda a sua poesia.
    Um refinado lirismo, imensos motivos de saudade não só da sua infância e mocidade mas, também, dos amigos e entes queridos dos quais se havia separado em razão da luta. A amargura de quem vive enclausurado, a ânsia da liberdade colectiva, e a esperança de um melhor por vir são motivos de jamais olvidar.
    Vamos crer que qualquer poeta que se preza é um infinito e corajoso batalhador, em todos os campos, sempre predisposto para enfrentar os desafios do seu próprio tempo. Neto assim o era e, conta-se um episódio segundo o qual na prisão foi-lhe proibido trabalhar e escrever mas ele escrevia os seus poemas com letras pequeníssimas em pedaços de papel minúsculos que eram enrolados e escondidos dentro de um cigarro.
    Às vezes, num cigarro cabia um poema inteiro. Aquando das visitas da esposa, ela saía sempre, com um cigarro intacto e dentro dele, com um poema novo escondido.
    Reputamos tal atitude como sendo um célebre acto de luta, coragem e sobrevivência pois escrever, para ele era um destino em razão das premonições e foi ele mesmo quem disse um dia. “...escrevíamos poesia (nas prisões) expressávamos as nossas ideias, mais recônditas, apelávamos o povo à luta… aliás nos foram criadas condições ideias para a criação. Uma prisão oferece a um poeta tanta solidão em que só pode sonhar um esteta dos mais refinados. Em todo o caso, nunca mais tive tanto tempo para a poesia como quando estava encarcerado.”
    Os desafios passaram a ser objectivamente outros, aos quais já no período póst-Independência se juntou a Presidência da União dos Escritores Angolanos, instituição cultural fundada aos 10 de Dezembro  de 1975, justamente um mês após ele mesmo ter proclamado a independência de Angola, fazendo dela a república popular que conhecemos até ao início dos anos 90 do passado milénio.
    Agostinho Neto, antes de poeta, em razão da sua formação, era sobretudo um homem de princípios. Estes princípios de carácter ético fundamentalmente polvilharam toda a sua poesia. Contudo, todo o digno leitor e cultor dos seus textos dificilmente negará a sua influência. Aliás, até porque “ (...) A poesia de Neto tem as suas raízes históricas mergulhadas na longa tradição da literatura angolana patriótica e que data já das últimas décadas do século XIX.”
    Podemos ler o que bem escreveu Marga Holness, na introdução da Sagrada Esperança de Neto: “Em o Futuro de Angola, semanário que se publicou em Luanda nos primeiros anos da década 1880-1890, José de Fontes Pereira verberava o domínio do português que apenas trouxera escravidão e ignorância. Cordeiro da Mata, outro patriota desse período escreveu romances e poesia e compilou o primeiro dicionário de Quimbundo - Português, o que só por si constituiu um acto de rebelião dado que os colonialistas portugueses reprimiam implacavelmente as manifestações literárias das línguas autóctones”. Os textos de alguns autores deste grupo de escritores, foram compilados e publicados num livro intitulado “ A VOZ DE ANGOLA CLAMANDO NO DESERTO”. Obra de homens cultos e de grande talento cujo propósito confesso era o de «vingar a verdade ultrajada».
    Num país em que reinava a escravidão, acusava A VOZ DE ANGOLA; «não pode haver nem trabalho, nem civilização nem progresso». Salienta que o trabalho do negro constituía a base de todo o crescimento económico da colónia, este livro punha em causa o regime colonial através de uma violenta acusação formal. «Este foi o acto de nascença da literatura Angolana...» segundo palavras de Mário Pinto de Andrade.
    Sendo a literatura angolana um todo indubitável, quero dizer que apesar de algumas rupturas estético-litárarias compreensíveis a geração 80 viu-se influenciada, e de que maneira fundamentalmente por Neto, mas também por autores de outras gerações cujo lastro vem desde os idos de 40.
    Neto é, por conseguinte, um mestre da nossa própria família de poetas, na esteira do pensamento crítico de Harold Bloom, que em seu livro intitulado A ANGÚSTIA| DAS INFLUÊNCIAS diz-nos citando outro autor: «o coração de qualquer jovem é um cemitério em que se inscrevem os nomes de mil artistas mortos mas cujos únicos residentes são uns poucos que pautamos poderosos. (…) O poeta é assombrado por uma voz com a qual as palavras se têm de harmonizar».
    Em arte, e como tal na arte literária, todo aquele que está disposto a progredir, assumindo-se artista como tal, dá à luz os seus próprios pais. Neto não só foi e será o pai das futuras gerações literárias de Angola e não só. Ele é mesmo o mais alto expoente dos integrantes da nossa família de poetas. Refiro-me a nossa família ética e estético-literária.
    Convêm finalmente realçar, para governo das futuras gerações de escribas entre nós, que tudo isso implica necessariamente um requintado auto-didactismo, formação, trabalho, entrega e muita leitura pois, Neto tal como outros... assim o fizeram no seu tempo. Fizeram intensas e imensas leituras. Sobre esse período, conta Antero Abreu, advogado e então colega de Agostinho Neto, que liam os “ Cadernos Verdes” das Editions Sociales, as “ Noções Elementares de Filosofia” de Politzer, o “ Le Marxisme” de Henri Leféve, o “Cogniet” e ainda livros de circunstâncias que deixaram marca indelével como “ Estes dias Tumultuosos” do jornalista belga Van Passen, “ Os dez dias que Abalaram o Mundo” e também livros de ficção e poesia como “ A Mãe” de Maximo Gorki, “O Don Tranquilo” de Cholokov, toda a obra de Jorge Amado publicada até então, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Erico Veríssimo, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, da “Rosa do Povo”… Da Espanha, Lorca e António Machado; de Portugal os neo-realistas como Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol, Fernando Namora, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, Joaquim Namorado e Fernando Pessoa.
    Deu-se o aprofundamento da descoberta dos grandes poetas da negritude, Aimé Césaire, Leon Damas, Senghor, e dos poetas negros americanos, Langston Hugles e Count Cullen, dos brasileiros Jorge de Lima e Solano Trindade, dos franceses Éluard, Aragon, Jacques Prévert, do soviético Vladimir Maiakovsky, dos americanos John dos Passos, Steinbeck, Caldwell, Ernest Hemingway, dos latinos-americanos Nicolas Guilmen e Pablo Neruda.
    Só assim podemos entender que Neto tenha dado uma dimensão ética, humanista e universal - consciente do seu papel -, à toda sua poesia. Uma vida e poesia para a liberdade e para a paz, em África e no mundo. Eis o caminho!



    BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
    Sagrada Esperança/ Renúncia Impossível/Amanhecer em Poesia. Agostinho Neto. UEA

    A Voz Igual.
    - Ensaios sobre A. Neto

    Nem tudo é Poesia.
    - Ensaios, David Mestre. UEA

    Apuros de Vigília.
    - Ensaios, Luís Kanjinbo. UEA

    Angola 11 de Novembro.
    -Documentos sobre a independência. Minfo

    A vida e obra de A. Neto – Roberto de Almeida, palestra.

    A.Neto - Conferência, Embaixada de Angola na Rússia.

    ENSAIO: Eneida Nelly: um novo discurso para um outro olhar para o cânone literário caboverdiano


    Dejair Dionísio - Brasil

    Luís Kandimbo, ensaísta e crítico literário angolano, diria que não era possível elogiar o cânone já que o mesmo não se confundiria com a "meditação sobre os clássicos" de Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental (The Western Canon-The books and school of the ages), pois a formação daquele cânone está definitivamente comprometida com a civilização ocidental. Nesse sentido, propunha como réplica a existência do cânone ocidental, a anacronia do cânone Negro Africano ou Bantu, para a perspectiva angolana. Em se tratando da apologia para um outro cânone para as literaturas africanas em geral, a pretensão totalitária de Harold Boom em incluir na sua profecia de canonização autores africanos, integrando o que ele denominava por chaotic age, anula as especificidades das literaturas africanas. Para a literatura afro-caboverdiana este paradigma confronta-se hoje com um discurso crítico produzido por africanos que, com a mudança atual de atores na formação do cânone para as escolas e universidades, já está trazendo para o discurso a representação de ruptura epistemológica que sempre viu com reservas todo o tipo de produção intelectual africana. Com o advento do pensamento crítico e pós-moderno associado a globalização cultural, o discurso feminino na literatura vem se impondo não somente pela necessidade de inclusão de um grupo tido como marginalizado nas letras. Se impõe pela qualidade do discurso, pelas temáticas inovadoras, pela necessidade de dar a conhecer outras latitudes anteriormente não abordadas pela poesia. Eneida Nelly, poetisa caboverdiana que escreveu em crioulo a sua obra, nos brinda com a não caoticidade pensada por Bloom e nos proporciona um outro olhar para esse novo olhar do que é e quem é que será canonizado nessa nova escrita dita Africana de Língua Portuguesa.

    Palavras-chave: cânone. Eneida Nelly. Literatura afro-caboverdiana


    Um olhar da alteridade

    Em termos representativos, de construção de uma identidade própria que dialoga com outras identidades africanas, o pensamento de Chinua Achebe nos parece bastante interessante. Ele pensará essa identidade que quer dizer algo, que fala sobre alguma coisa e que

    a identidade africana ainda está em processo de formação. Não há uma identidade final que seja africana. Mas, ao mesmo tempo, existe uma identidade nascente… quando alguém me encontra, fora do continente africano, ele indaga: ‘Você é da África?’ O que significa que a África é alguma coisa para algumas pessoas. Cada um desses rótulos tem um sentido, um preço e uma responsabilidade. Todos esses rótulos, infelizmente para o negro, são rótulos de incapacidade.”
    Chinua Achebe

    E é esse rótulo de incapacidade, de equívoco quando pensamos a manutenção do locus comum para a África, coisificando-a e deixando-a hermeticamente fechada numa caixinha pré-selecionada, que não nos deixa perceber a criação e a representação dessa identidade específica, afeta nesse caso, a de Cabo Verde.
    Também não se compreende dentro dos estudos relacionados a literatura produzida em África por autores que tem como berço aspectos culturais e de língua próximos ao Brasil, a escrita que fuja do estereótipo e das amarras condicionantes as quais foram reservadas por estudiosos ocidentais. Por mais que haja vontade e intenção positiva para olhar para essas narrativas, tentando perceber a oratura e a reserva estética, principalmente quando a atribuição do uso da língua nacional ou materna está presente, muitos dos nossos estudiosos enviesam as análises e “fogem” da possibilidade de olhar para essas escritas, amedrontados que estão em entender conceitualmente e filosoficamente essas escritas. Afinal, a segurança da teoria pronta, está disponível e gera mais empatia acadêmica.
    No caso das escritas que emanam de Cabo verde, verificamos haver pouquíssimos estudos voltados para a produção literária em crioulo. Talvez pelo fato de não poderem ser enquadradas dentro das possibilidades pensadas por Harold Bloom que, ao escrever sobre as escritas africanas em Língua Portuguesa, entendeu haver um caos de compreensão, porém não nos esqueçamos que ele partiu do seu olhar eurocentrista. Havia, na nossa concepção, boa vontade para fazer, mas havia, para além disso, uma necessidade de mantes o olhar de distanciamento e de negação da diferença da escrita produzida naquele arquipélago, o de Cabo Verde. 
    Localizado a 500 km da costa do continente africano, Cabo Verde sempre esteve com um pé aqui e outro acolá, quando se pensa em países africanos. Devido a sua localização geográfica e ao distanciamento terrestre do continente, muitos estudiosos buscaram outras significações, outras latitudes, no sentido de compreensão do fazer cultural no arquipélago. Tendo como berço cultural a possível mais ainda questionável achamento das ilhas no século XV, Cabo Verde se insere dentro do contexto histórico de navegação orquestrada pela frota portuguesa, em busca de
    soluções para encontrar um outro caminho que não passasse pelo comércio europeu centralizado nas mãos dos venezianos. Encurtar a viagem para a Índia, era a missão e, no meio do caminho, aconteceu o achamento do Arquipélago. Constituído pelo cruzamento de portugueses e africanos que, forçosamente via escravidão foram levados para as ilhas (inicialmente a ilha de Santiago, a maior e que concentra a maior população atualmente) originou uma população tipicamente crioula, devido a essa situação. Dessa mistura e confluência de culturas nasce a língua crioula, termo português que originalmente foi usado para designar os escravos criados na casa dos senhores e posteriormente passou a ser designador às línguas por eles faladas.
    (CRISTÓVÃO, 2005) Por razões de imposição de uso a língua portuguesa serviu de base para o surgimento do crioulo em Cabo Verde, daí haver a denominação basilar da mesma, para o crioulo. Porém, como outros usuários não comungavam da língua dominante, trazendo dos seus grupos étnicos outros arranjos linguísticos, essa forma inicial de comunicação desembocou para o meio comercial, para o meio social e demais, formando-se então um pidgin(2) facilitador de comunicação pela sua forma direta e simplificada de construção frasal.
    O crescimento rápido e exponencial do crioulo fez com que se tornasse tão importante que, em 1784 um escritor anônimo afirmou que os brancos em Santiago “raros (são) os que sabem falar a língua portuguesa com perfeição, e só vão seguindo o estilo da terra”. Durante o colonialismo, o português foi a língua primeira sendo utilizada no ensino, na administração, a única escrita, e, sendo a língua do colonizador, o uso do crioulo não era permitido chegando ao extremo de ser proibida por lei em 1849. Apesar das proibições, perseguições e demais formas de cercear o uso da língua caboverdiana, a mesma ganha outro estatuto após a independência, passando a ser permitida, falada nos discursos políticos ao lado de outras manifestações culturais que também foram banidas do contidiano caboverdiano durante o colonialismo, como a tabanca e o finaçon, além do funaná. 
    Passa a ser permitido mas não é língua oficial, já que o português mantém esse estatuto, sendo língua de comércio e de comunicação no país e meio de contato com o mundo. As duas línguas, o caboverdiano e o português, coexistem em paralelo e não em sobreposição nem por exclusão, construindo assim um verdadeiro bilinguismo. O mesmo observou Jorge Amado, em visita oficial a Cabo Verde com a comitiva do presidente do Brasil à época, José Sarnei, em 1986, disse numa entrevista que “ a vida decorre em crioulo”, uma vez que ela está presente nas relações informais, mesmo naquelas que dominam o português. Esta, a segunda ou oficial, deixada pelo colonizador, “adquiriu aos olhos dos nacionais um prestígio desmesurado, que nem a independência conseguiu reduzir totalmente às suas proporções normais” (DUARTE, 1998).  
    Se a vida decorre em crioulo, mas tendo a língua oficial o português, essa característica aparecerá na literatura e em todos os afazeres em Cabo Verde. Conforme a observação de Dora Pires que o

    fenômeno do bilinguismo não afeta globalmente a sociedade caboverdiana; nem todos os caboverdianos falam o português, embora o português seja muito mais utilizado na camada culta e rudimentarmente falado nas camadas populares. Como o português nunca foi uma língua de domínio afetivo e global mas sim uma língua de domínio administrativo-político, a língua cabo-verdiana continua sendo o instrumento de comunicação oral privilegiada. (PIRES, 2009)

    Possíveis percepções para uma diferente recepção desse instrumento privilegiado podem ser vistos a partir do início da tradição da escrita em crioulo, buscando afirmar-se enquanto identidade descolada da cultura lusófona e da língua que a representa – o português. 
    Portanto, os poetas crioulófonos, a se destacar os advindos da ilha de Santiago, berço da criação do crioulo, inspiram-se atualmente na tradição da oratura caboverdiana e trazem para as suas obras as contribuições das estruturas basilectais, utilizando, também, muita criatividade, o que faz pensar que em médio prazo, a língua terá o se reconhecimento como língua de literatura. Apesar de somente recentemente o crioulo começar a ganhar uma roupagem sugestiva de que com a criação de alguns “instrumentos indispensáveis à sua reconversão em língua escrita”, conforme análise de Dulce Almada Pereira (2005), alguns ensaístas, poetas e romancistas já estão produzindo textos em crioulo, apesar de ter concorrido historicamente com o nascimento do percurso literário de forma perversa, uma vez que o colonialismo impôs aos caboverdianos a literatura em português, dentro dos moldes europeus, em detrimento do nascimento clássico literário que vem da oratura ou da literatura oral. 
    Essa literatura insular nascerá de forma diferenciada daquela que foi sua inspiração (sic). Aparecida dentro do contexto literário em fins do século XIX, coincidentemente no período em que poetas e compositores musicais foram escolarizados em português, havia somente no primeiro momento, o modelo literário praticado na Europa acima descrito, com base nas narrativas orais, os cantos dos épicos ou as canções de gesta. Mesmo assim, alguns autores como Eugênio Tavares, Pedro Cardos, Sérgio Frusoni, Luis romano, Teixeira de Sousa, Mário Macedo Barbosa, Ovídio Martins, Gabriel mariano, Jorge Pedro Barbosa – interessante notar que nenhum deles é santiaguense. Mesmo assim, os dois últimos citados, do primeiro período de escrita em crioulo, que data até 1960, escreveram a partir da variante da Ilha de Santiago.
    Mas será somente no fim daquela década, que um escritor da Ilha de Santiago usará o crioulo como vaso comunicante, o poeta “Kaoberdiano Dambará”, pseudônimo de Felisberto vieira Lopes, o qual escreveu, nos finais dos anos 60, um livro de poemas de exaltação patriótica verdadeiramente notável, Noti, na forma basiletal da variante de Santiago. (PEREIRA, 2005: p. 12) Surgirá a partir dele um grupo que revelará via sua linha poética e discursiva a vitalidade cultural de Cabo Verde, trazendo junto consigo as potencialidades e possibilidades que a língua sustenta. Exemplos de autores a sere citados são os de Corsino fortes, Kaká (Carlos) Barbosa, Kwame Kondé (Francisco Fragoso), David e J. Luis Hopfer Almada, Arménio vieira, Oliveira Barros, emanuel Braga Tavares, César Fernandes, Tomé Varela da Silva, Daniel Spínola, que valorizarão a identidade local, os valores nacionais mas dando uma dimensão universal a essa novo fazer poético.
    No romance, já na década de 1980, surgirá pelas mãos de Manuel Veiga Odju d’Águ (Olho d’Água), trazendo no seu enredo toda a dinâmica da diacronia com a sincronia, tendo como participante na narrativa o público, no formato de uma espécie de auditório, revelando a necessidade de comunicação. Eutrópio Lima da Cruz escreverá em finais da década de 1990
    Perkurse de Sul d’Ilha (Percurso de uma ilha do sul), escrito na variante da Ilha de Boavista, difere do romance de Veiga, pois o mesmo não tem as características de uma longa história tradicional, mas concebe-se dentro da estética caboverdiana pela sua estrutura e sua concepção.
    É nessa esteira de obras que nasce a coletânea de poemas Sukutam (Escuta-me) de Eneida Nelly, publicado em 2011. A narrativa contida em seus 50 poemas musicados por Princezito, vão dialogar com sua infância no Tarrafal, cidade da Ilha de Santiago. Conforme prefácio à obra de Miguel Anacoreta Correia, o testemunho da sua solidão vivida em Lisboa, testemunham os vários dias solitários, a esperança em um futuro melhor, a saudade da família, do mar, da areia, da Lua, do Sol, da dor e do amor e, principalmente, da música, que simboliza tanto para si o que é Cabo Verde. Mas, mais uma vez, o olhar europeizante do prefaciador aparece, ao anotar que

    é por isso de saudar a vontade da Eneida, que começou a escrever poesia muito jovem e cuja escrita foi sempre muito considerada por todos, em vir a escrever em Português. Desta forma permitirá que as suas obras sejam apreciadas por um universo mais alargado de leitores e amigos. CORREIA, 2011: p.3)

    Aqui merece uma observação pensada por Kandimbo, que indaga se será necessário rever o cânone. Nos parece que é necessário rever também o olhar de quem supostamente canoniza, que na sua fala não complementa e nem suplementa, conforme Derrida, a literatura caboverdiana. O seu olhar é de exclusão e dialoga diretamente com o pensamento neocolonizante, não diríamos que por intenção mas por impregnação.
    Assim, a obra se sustenta, mesmo fora dos padrões esperados para a literatura produzida em África, ou seja: na não conformidade com as línguas de imposição colonial, o que seria de esperar de uma autora caboverdiana. Comecemos pela primeira impressão de alteridade que é a de que, dos crioulófonos citados, ela é a primeira que aparece no sentido da possibilidade de inserir o gênero feminino na discussão, na concepção, na autoria e na própria possibilidade de publicação. O próprio título da obra, Sukutam já avisa para que veio: para ser ouvida.


    Notas

    1—Leitor brasileiro na Universidade de Cabo Verde – Uni-Cv e no Instituto Internacional da Língua Portuguesa – IILP. Doutorando do programa de pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina e colaborador no Núcleo de Estudos Afro-asiáticos da Universidade Estadual de Londrina – UEL e no Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da universidade Federal do Espírito Santo – UFES.

    2—Para o surgimento do crioulo de Cabo Verde Dora Oriana Pires no seu artigo Situação linguística deCabo Verde apresentado no SIMPÓSIO INTERNACIONAL DA LÍNGUA E CULTURA DE/EM  LINGUA PORTUGUESA NA CPLP, ocorrido na cidade de São VICENTE de 24 A 28 DE MARÇO DE 2008 dirá que ele “resultou assim do contato dos dialetos africanos com o português, nascendo num contexto social em que se pretendia resolver os problemas do dia-a-dia a partir de códigos mínimos e muito limitados – um “pidjin” -, para aos poucos e com recursos a empréstimos e adaptações do português e das línguas africanas, evoluir e dar assim origem a uma língua viva como as outras e sujeita a mudanças, que é a língua Cabo-Verdiana.” 


    Bibliografia

    DUARTE, Dulce Almada. Bilinguismo ou Diglossia?, Spleen Edições, Praia 1998.
    _____________________. A literatura cabo-verdiana (crioula) entre o oral e o escrito.
    Revista Papia ed. 15, pp. 7-14, São Paulo, 2003.
    NELLY, Eneida. Sukutam, Edição da autora, Praia, 2011.
    PIRES, Dora O. G.. Ensino da Língua Cabo-verdiana no Ensino Básico, 3ª Fase (5ª e 6ª classe) – Proposta de um fragmento de Manual Ensino da língua cabo-verdiana – Tese de Mestrado – CEA - FLUP - fev, 2008.
    ____________. Situação linguística de Cabo Verde, Simpósio Internacional do IILP da
    Língua e Cultura de/em Língua Portuguesa na CPLP, São Vicente, CV, 24 a 28 de
    março, 2008.




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