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    (Prosa +Poesia= A Mesmo ou –Isto)= O Bebedor dos Tormentos


    Amosse Mucavele - Maputo

    Aticei o fogo  do cigarro no meu coração.
    Ficou em chamas e senti a necessidade de apagar, cortei o desejo, continuei no meu puxa-puxa,alguém  trouxe-me a àgua. não aceitei, lembrei-me que no meu reino apagasse as chamas do cigarro com uma garrafa de gin.
    Entornei-a dentro de mim. e dentro de mim já tinha um barco   a espera; viajei com os olhos fechados, a minha visão era o copo e o cigarro ambos discutindo a primazia nas minhas duas mãos. e de repente abri a vista; deparei-me com o NEWTON trocamos um dedo de conversa falamos de muita coisa desde as prostitutas ate a ciência. em seguida ele falou-me da sua 3ª lei: acção e reacção.
    Fiquei de ouvidos boquiabertos e dos olhos carregados de uma ternura milenar, dai aprendi como se fabrica uma dor na consciência, levantei, tentei andar, não consegui, comecei a sentir o peso do meu corpo, e de tudo que engendrei a desaguar nos meus pés amputados pela força do álcool. afinal quem são os meus pés para suportarem toda esta carga?
    Tentei falar: a minha voz era um viaduto transportando silêncios, procurei as palavras não as encontrei em lugar algum, creio que o vento da boémia as levou.
    Desço do barco, percorro na embriaguez do meu dilema: será este o destino do meu dinheiro? sei que o melhor remédio é distanciar-me deste amigo da ocasião  que só me visita quando as vacas estão gordas e quando são atacadas pela peste da pobreza ou dos bolsos rotos anda longe de mim.
    O que vale estar bêbado e  não ter chão para dormir?
    E se eu tivesse comprado livros com dinheiro gasto naquela fatídica noite teria educado o meu raciocínio e neste exacto momento estaria a vender saberes para o mundo,.eu de   álcool  prostitutas cigarros não falem mais, preciso de distância com estes três aliados. Caros amigos ensine-me a ser poeta. por favor…………………….

    Um pouco sobre Eduardo White


    Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963.

    O poeta integrou um grupo literário que fundou, em 1984, a Revista Charrua. Junto a outros poetas, colaborou também com a Gazeta de Letras e Artes da Revista Tempo, publicação cuja importância, assim como Charrua, foi indiscutível para o desenvolvimento da literatura moçambicana. Por intermédio desses periódicos, afirmou-se um fazer poético intimista, caracterizado pela preocupação existencial e universalizante.

    Numa preocupação com as origens, Eduardo White tenta na sua poesia reflectir sobre a sua história e sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e, por vezes, de erotismo.
    (“Eduardo White” in Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2008 )

    Moderníssimo, kafkiano, os seus textos apontam para uma leitura poética metalinguística, ou seja, em que os poemas, ao engendrarem a si mesmos, contam, paralelamente, a história de seu povo (amores, sofrimentos, opressões, miséria, estigmas das guerras, etc.) e a história da própria linguagem literária.

    O que vocês não sabem e nem imaginam

    Vocês não sabem
    mas todas as manhãs me preparo
    para ser, de novo, aquele homem.
    Arrumo as aflições, as carências,
    as poucas alegrias do que ainda sou capaz de rir,
    o vinagre para as mágoas
    e o cansaço que usarei
    mais para o fim da tarde.

    À hora do costume,
    estou no meu respeitoso emprego:
    o de Secretário de Informação e de Relações
    [Públicas.
    Aturo pacientemente os colegas,
    felizes em seus ostentosos cargos,
    em suas mesas repletas de ofícios,
    os ares importantes dos chefes
    meticulosamente empacotados em seus fatos,
    a lenta e indiferente preguiça do tempo.

    Todas as manhãs tudo se repete.
    O poeta Eduardo White se despede de mim
    à porta de casa,
    agradece-me o esforço que é mantê-lo,
    alimentado, vestido e bebido
    (ele sem mover palha)
    me lembra o pão que devo trazer,
    os rebuçados para prendar o Sandro,
    o sorriso luzidio e feliz para a Olga,
    e alguma disposição da que me reste
    para os amigos que, mais logo,
    possam eventualmente aparecer.

    Depois, ao fim da tarde,
    já com as obrigações cumpridas,
    rumo a casa.
    À porta me esperam
    a mulher, o filho e o poeta.
    A todos cumprimento de igual modo.

    Um largo sorriso no rosto,
    um expresso cansaço nos olhos,
    para que de mim se apiedem
    e se esmerem no respeito,
    e aquele costumeiro morro de fome.

    Então à mesa, religiosamente comemos os quatro
    o jantar de três
    (que o poeta inconsta
    na ficha do agregado).

    Fingidamente satisfeito ensaio
    um largo bocejo
    e do homem me dispo.
    Chamo pela Olga para que o pendure,
    junto ao resto da roupa,
    com aquele jeito que só ela tem
    de o encabidar sem o amarrotar.

    O poeta, visto depois
    e é com ele que amo,
    escrevo versos
    e faço filhos.
    [...]

    (p.240-241)

    *
    [...]
    Não faz mal.

    Voar é uma dádiva da poesia.
    Um verso arde na brancura aérea do papel,
    toma balanço,
    não resiste.

    Solta-se-lhe
    o animal alado.
    Voa sobre as casas,
    sobre as ruas,
    sobre os homens que passam,
    procura um pássaro
    para acasalar.

    Sílaba a sílaba,
    o verso voa.

    E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso conosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemos esse desejo de o prendermos.

    Não é justo um pássaro
    onde ele não pode voar
    (p.244)
    **
    Por exemplo, o fogo.
    O fogo estabelece e seu trabalho,
    a sua centígrada destreza para arder.
    E não sei se notaste
    que na digital matriz da suas febres
    o fogo opõe-se,
    insubmisso,
    a morrer.

    Arde como se definitivo
    e quando assim sucede tende a crescer,
    busca aquela leveza das altas labaredas,
    a implícita tontura das fagulhas.
    O fogo arde como se quisesse fugir do chão,
    das suas cavernas metalúrgicas,
    ascende ao impulso dos foguetões,
    à infância astral, à casa solar.

    O fogo entristece, por vezes.
    Chora inflamável na sua fatalidade terrestre
    a estranha e lenhosa prisão
    que o prende e embrutece.

    Quer voar,
    quer a sua ancestral condição de estrela
    mas na corrida espacial com que o fogo queima,
    na perpétua evasão,
    a gula intestina-o
    a sua pressa.
    (p.245)

    Quando Estivermos Vivos


     Deusa D´África – Xai-Xai

    Quando estivermos vivos
    Nos amaremos e activos
    Permaneceremos causando gana
    Aos que não são amados, e de quem aos estóicos emana. 
    Quando estivermos vivos
    Abraçarmo-nos-emos na varanda
    E pararemos a lua
    Para que não haja sol na rua

    Quando estivermos vivos
    Eu e tu seremos um
    Iguais a outro casal nenhum
    E em cada solo nosso sémen fecundará o alimento do povo, o pão. 
    Quando estivermos vivos
    Todos dias serão dias de sarau
    Sarau serenatas e satisfação em semblantes
    Sem lugar para os com cara de pau. 
    Quando estivermos vivos
    Gargalharemos de tal maneira
    Que nossos olhos jorrarão, água
    Que inundará  a cidade de felicidade. 
    Quando estivermos vivos
    Como ovíparos pariremos, um enxame de príncipes,
    Que serão os munícipes
    Desta cidade sem mocidade. 
    Quando estivermos vivos
    Beberemos água gelada
    Que neste tormento nem a fada
    Nos pode dar por misericórdia, ou por compaixão
    Mesmo vendo que em nós há paixão.  

    Feridas do passado


    Nelson Lineu – Maputo
    Ao Réne e Charles


     O passado traz-nos feridas
    presas na lenda
    num leito de dor desumano
    dentro dum cristal da pobreza
    que desembarca no oceano.

    De certas coisas
    quisemos sair de mãos vazias
    porque não mereciam ser  lembranças

    mas vemos tudo de novo tudo na água das nossas bacias
    e não fizemos buscas
    pensamos que se afogaram
    mas amanhã firmemente fazem-nos rusga.

    A Noite


    Nico Tembe – Maputo

    A noite chama-te para dançar
    A rumba das estrelas e da lua...
    A noite te faz despertar
    Sem sono de não acordar,
    Mas de penetrar em cada virada sua

    Já paraste para perguntar sua mente
    Se esta alegre ou descontente
    Com esse retoque diferente
    Que na noite se faz presente

    Consciente
    Do deluviu confidente
    Que te faz acordar de repente

    Será?
    Que ansiedade não cala
    Se faz pregar em sua cara
    De um amanhã que já te fartará
    Dessa insónia dormente.
    A Noite

    AEMO lança “Contos do Fantásticos” de Aníbal Aleluia


    Por Eduardo Quive - Maputo
    Um dos emblemáticos na história da literatura moçambicana, Aníbal Aleuia, embora já para além do mundo dos vivos, desde 1993, teve os seus contos publicados na última sexta-feira em Maputo, pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).
    O livro que se intitula “Contos do Fantástico” é a revelação de estórias, do misterioso mundo africano e, em particular, moçambicano, escritas pelo autor em 1988, antes da sua morte e que 20 anos depois, segundo Jorge de Oliveira, Secretário Geral da AEMO, a literacia dos mesmos não perdeu-se “a qualidade é inédita e o que escreve, até parece contemporâneo.”
    Palavras como Tinlholo, Mhamba, entre outras citações relacionadas com feitiçaria ou a dita magia negra, que constituem o mundo do obscurantismo em que muitas famílias moçambicanas ainda vivem, podem ser encontradas na obra.
    Aliás, são estes elementos antigos mas que não passam da literatura actual, que com “magia” e eloquência, Aníbal Aleluia escreveu para os homens de hoje, como se ao seu lado estivesse.
    Jorge de Oliveira, sobre o facto de se lançar as obras deste escritor a título póstumo, referiu que “Morre o homem, mas a obra fica” e para além disso “o conteúdo desta obra é de grande qualidade literária e transmite estórias do quotidiano que nunca passa.” Concluiu.
    Breve Apresentação do Autor
    Aníbal Aleluia, identificação de Henrique Aníbal Aleluia, nasceu a 30 de Agosto de 1921, em Inhambane, e faleceu a 14 de Maio de 1993. Usou, por vezes, os pseudónimos de Roberto Amado, Augusto António e Bin Adam.
    Exerceu vários ofícios, tais como carpinteiro, enfermeiro, professor, secretário administrativo, jornalista, ficcionista. Colaborou em diversos jornais e revistas como: “Itinerário”, “O Brado Africano”, “Elo”, “Revista d´Aquém e d´Além-Mar”, “Voz de Moçambique”, “Charrua”, “Tempo”, “notícias”, “Domingo” e “Vértice”. Publicou os livros “Mbelele e Outros contos”, 1987, “O Gajo e os Outros”, 1993, a título póstumo.

    Aprovada proposta da política do livro


     
    Reunido no seu primeiro conselho coordenador, o Ministério da Cultura aprovou a proposta da política nacional do livro, que deverá ser encaminhada ao Conselho de Ministros ainda este ano.


    Trata-se de um instrumento indispensável e decisivo para a formação literária e artística, um documento basilar na construção de conceitos, na experimentação e descoberta de métodos de resolução de problemas no desenvolvimento do espírito de pesquisa e na libertação do imaginário.


    Tal como fez saber o ministro da Cultura, Armando Artur, apesar do país estar a conhecer um crescimento considerável no domínio do livro, a ausência de uma política contendo linhas orientadoras do desenvolvimento no sector tem levado, em certos casos, à adopção de soluções incompatíveis e ao uso desnecessário de esforços, resultando em fracassos ao invés de reduzir o desequilíbrio e as assimetrias no seio dos intervenientes.

    “Assim, havendo necessidade de o país dotar-se de princípios, objectivos e orientações, é aprovada a presente política do livro que reflecte a importância e a imprescindibilidade do livro na sociedade moçambicana”, disse Artur. O País

    Estórias de meter medo


    Hilário Matusse – O País


    Concretiza-se, nestes sete contos, o objectivo de preservar o que de melhor a tradição/via oral nos proporciona, ao mesmo tempo que o HM contribui para o tão almejado desenvolvimento das competências nos domínios da leitura e escrita.


    1. Quantas caras têm o medo? Ou entre o medo e o infinito da realidade é como se pode ficar no fim da leitura deste livro com um título sugestivo e convidativo, na medida em que remete para um campo agressivo e muito profundo que é o terror.


    2. Hilário Matusse, escritor e jornalista moçambicano, juntou-se à Colecção Karingana – o espaço de maior prestígio que a Associação dos Escritores Moçambicanos edita e no qual, por via de regra, desfilam os melhores contistas deste país, estreando-se no género conto com estas “Sete Estórias de meter medo”.


    3. E ainda bem que assim o é, ganha o autor e ganham as letras moçambicanas.


    4. “O seu coração balança sensibilizado, e decide levar o bebé envolto em lençóis brancos que visualiza, estirado no chão arenoso defronte da sua casa para lhe dar conforto e dar, do bom coração de sua Margarida, o calor que a mãe que o abandonara não teve.”


    5. Na verdade, e ainda que não sejamos atingidos pelo medo que as estórias comportam, deixamo-nos envolver pelo seu conteúdo e pela forma sublime com que se conta, juntando-se, assim, de um modo feliz, história e arte – ainda que as peripécias sejam estórias e não histórias.


    6. “Aquela espera da hora do encontro tornava-se cada vez mais um suplício. Quase agoniava, e, impelido pela vontade de rever a sua amada, ganha coragem de ir procurá-la em casa, da qual só conhecia o quintal de chapa de tambor espalmada. E abalou-se.”


    7. Concretiza-se, nestes sete contos, o objectivo de preservar o que de melhor a tradição/via oral nos proporciona, ao mesmo tempo que o HM contribui para o tão almejado desenvolvimento das competências nos domínios da leitura e escrita, bem como o alargamento e aprofundamento dos hábitos de leitura e escrita na nossa sociedade.


    8. “Mas com o tempo, que cura tudo, as coisas lá se foram compondo. Construiu uma barraca para substituir a cubata; cercou-a com vedação de caniço e até colocou um portão de Madeira, ainda que mal amanhado. Casou-se, prosperou e até comprou uma bicicleta.”


    9. Quantos medos nos metem estas estórias? Os que quisermos. Não aceitá-lo seria negar ou ignorar a magia que a diversidade cultural moçambicana comporta; e uma sociedade não se atropela nem se esquece, pois ela convive com o medo e a coragem, lado a lado, daí que tenhamos sido brindados com esta obra tão imbuída de uma linguagem requintada e, acima de tudo, de uma atitude aberta e múltipla.


    10. “O sol estava no pico quando o regressado assomou e atravessou a entrada da delimitação da sebe de espinhosas que circundava as várias palhotas do seu clã. Ulularam, cantaram e dançaram todos os membros da família. Afagavam-se ainda em abraços e beijos, quando de repente Mundlelevo, quase petrificado, balbuciou: - O morto regressou?!.”


    11. Só com diversidade poderemos ser mais de nós mesmos, só com alternância de ideias, escritas, rescritas, renovação das artes e letras e refrescamento de ideias a arte avança, a vida avança.


    12. O debate faz bem, quanto menos tivermos o que se chama de ‘mais do mesmo’ mais a nação avança. HM sabe-o bem, por isso esta sua contribuição naquilo que são os patamares mais superiores da nossa liberdade cultural, o seu livro segue a luta que se baseia no slogan Abaixo as mesmices.

    Um namoro entre a música e a lírica



     O escritor Dércio de Celestino Pedro estreou-se no panorama literário moçambicano com a publicação da obra “Quando o coração diz pára e outras entontecidas”, livro de poesia posto à venda desde Abril último, aquando do lançamento da 76ª Feira do Livro da Minerva Central, mas só na última semana de de Maio passado, aconteceu o lançamento oficial da obra.

    O evento, que contou com a presença dos amantes da literatura, e não só, iniciou com a leitura de alguns poemas, por Helena Maguene. Para a apresentação da obra, coube a Arsénio Macaliche, companheiro literário de Dércio Pedro, que considerou que o seu papel era de “comentador” do livro, afirmando que o trabalho sério de crítica literária será feito pelos professores de literatura e críticos literários mais entendidos.

    Ainda assim, na sua breve, mas lúcida intervenção, Macaliche avançou alguns elementos importantes para a leitura da obra, e para o desenvolvimento de uma expectativa em relação à evolução da escrita de Dércio Pedro, que nesta fase inicial se apresenta prenhe de possibilidades estéticas.

    De acordo com Macaliche, há que felicitar o poeta pela sua coragem de cantar o Amor nestes tempos de “cólera social”. Para além disso, Dércio saiu-se bem neste seu primeiro livro, em muito do que faz, em termos de jogos de linguagem. Por exemplo, a sua incursão pela corrente de poesia concreta é bem conseguida. Portanto, a sua oscilação entre a poesia e a música é bem gerida – Macaliche considera que a ideia de um ser dividido é anunciada no título, pela convocação de Quimera, figura da mitologia clássica que representava um ser híbrido. Assim, o poeta oscila entre escrever versos para serem declamados e versos para serem cantados. Aliás, uma das marcas deste livro é precisamente a convocação de autores de “Bossa Nova” e música popular brasileira, sentindo-se que a métrica e o ritmo de vários poemas, principalmente da primeira parte do livro “Do Coração” apelam a estes estilos musicais. O País

    Desnacionalizado


    Izidine Jaime – Maputo 

    Sou cidadão oriundo de uma nação onde os partos não têm maternidade.
    Onde a noite é uma aventura desenhando o sol na insónia das nuvens, e, as fogueiras contam histórias no sul da noite, galanteando a música da natureza na boca dos grilos.
    Sou como um estrangeiro apatriado pelo País que nascera, um País sem ventre, sem vida, por onde a fome vende aos homens o desafio de viver.
     Os impostos vendem buracos nas estradas e a pobreza é uma anáfora na boca da riqueza no ouvido dos pobres. (Somos ricos de Pobreza na riqueza que temos).  
    Uma vez morto antes de nascer, vi no oráculo do mundo a sapiência fugindo dos homens, a tecnologia plantando a preguiça nos ombros da prosperidade e a raça da natureza a caminho da extinção. E os homens culpam ao tempo pelo actual reflexo da humanidade. Porquê? Foi então o vento que pariu a globalização?
    Sou de um País onde o Lixo tem grandes mansões nos cantos da cidade, transbordando das lixeiras, sacia a fome dos homens com receitas desumanizadas e um aroma patrono das ruas ditando a não passagem de narinas abertas.
    Ai daqueles que não tem transporte próprio, pois os transportes públicos são uma espécie de latas ensardinhando homens, os aromas se misturam, os sovacos se libertam libertando outra liberdade que não existe.
    Nos tempos em que o tempo esquece-se de nós, a terra ajoelha-se de joelhos descalços e, na oração do tempo, os ventos fogem velozmente desrespeitando o parentesco das árvores, não sei que légua participam mas a meta é indefinida. Ah! O treinador do ciclone também participa despindo tudo quanto é nada. As nuvens abençoam torrencialmente os rios que embriagados vomitam a água para a margem das casas levando tudo do nada que tem. E nem si quer guardamos a chuva para a época agrícola e no rebolar do tempo ficam sem números para indemnizar a seca.
    Sou de um País onde os naturais de lá não são de la, sem identidade própria vivem querendo ser os outros,   “uma coisa é ser de Moçambique e a outra é ser moçambicano”. 

    Um leproso no meio do caminho se sentindo

    Eduardo Quive - Maputo

    A vingança é um prato frio, em que qualquer um pode se lambuzar, de acordo com os seus feitos.
    São as minhas pálpebras atordoadas de surpresas, que num acto de sensibilidade e sobretudo de medo, questionaram a presença de um leproso em plena via pública, como de um perigo para a sociedade se tratasse.
    Também subestimei a minha forma de pensar, a minha maneira de agir, em suma, a minha atitude quase desumana, de olhar para um compatriota, que simplesmente sente as torturas da natureza selvagem na sua pele.
    Vi o homem ali sentado, descascado, com a pele se despelando, de certeza procurando sentir do coração as dores e olhar detalhadamente para os seus dedos caindo aos bocados. Muitos passavam daquele lugar, mas ninguém sentiu o que senti.
    O meu peito ficou trémulo, a cabeça batia como se fosse um tambor que suporta a fúria dos artistas e os meus pés davam passos assustados, os olhos esses já não eram meus, o homem já tinha os arrancado de mim.
    Com as mãos na cabeça o homem parecia cada vez mais se contorcendo de tanta dor, uma dor que vem do interior, levando com sigo o ódio e a raiva de estar vivo, o homem nem se quer gritava, muito menos chorava. Estava calado e bem calado. Não parecia nada.
    Quem o visse à primeira vista, só de raspão até pensaria que tivesse bebido qualquer coisa, como aguardente, mas juro que não era. Nem isso, nem outra coisa. Era uma dor ardorenta, amarga, apertada e sufocada que lhe saía do interior da forma mais tranquila.
    O homem buscava a dor da forma mais aternurada. Tranquilamente, que o possível. Mas em gestos era tudo sinal de dor. Muita dor. Mordia os dentes e os lábios, ainda os molhava. Coçava as pálpebras com muita raiva, como se alguém estivesse por de trás daquela dor e o cutucasse, acredito que com as suas mãos, precisasse coçar-se. Mas não podia. Os dedos estavam a arder de tanta dor interior, estavam a desdilharem – se da forma muito lenta e dolorosa.
    Ele já não era nada mais, do que um leproso no meio do caminho se sentindo, com cheiro a fedor que deixava as moscas na fúria e cobiça. E tinham poder sobre ele. Sem poder fazer absolutamente nada. Nada mesmo. Era só pousada e picada. Dor e fervor. Irritação e raiva. Os homens que por aí passavam é que não o cobiçavam.
    Eu estava ali. Embora de passagem. Mas estava ali. Com ele. Sentindo a dor, de certeza mais do que ele.

    Madjermanes

    Izidine Jaime - Maputo


    O sol estoirava o tempo
    Cicatrizando passos no alcatrão
    Os olhos variam-se
    aos ouvidos desocupados. 
    A música triste
    cantava nas bocas injustiçadas
    E as mensagens aos “Senhores”
    eram  claras e abstractas. 
    Bandeiras alemãs apontavam dedo aos apatriados
    E nas vozes sem melodia
    Exaltavam:
    “Abaixo aos Mugabes da Região”. 
    Transpiravam a dor
    E em manchetes recicladas:
    “Povo não sejam cobardes”
    Desfilavam angústias, cantando dessabores. 
    De vestes desnutridas espalhavam a mensagem
    Nas 4as feiras
    A avenida Eduardo Mondlane
    Virou palco de exibições desapatriadas. 

    Noite para abraçar Cezerilo



    Luis Cezerilo, poeta e estudioso de literatura, tem a “noite de abraços” reservada para si. A sessão vai acontecer na sexta-feira às 18h00 no FEIMA.

    Semanalmente, o programa “noite de abraços” busca uma personalidade para homenageá-la. Este programa permite uma interactividade entre as figuras convidadas e os seus admiradores. O poeta Luis Cezerilo publicou cinco livros no Brasil, Moçambique e Portugal, designadamente: “O arrumador de luzes”(1999); “Quando o papel for branco”(2000); “Encontros – Desencontros”(2002); “Geometria das metáforas”(2003); e “Incandescências”(2006).

    Amor


    TXAPO-TXAPO   -  Mafalala
    Arrone Valentim Maússe
    Amar é viver,
    Viver é Sonhar,
    Sonhar com amor
    Mesmo que viver o amor
    Já nós é impossível,
    sejamos fiéis como o cão,
    A palavra amar,
    Que com ele derrubarmos
    Os obstáculos da vida,
    E seremos sempre os vencedores
    De todos os tempo,
    Amar é viver o amor,
    É ser feliz para sempre.

    Nesta sexta feira lançamento de "Contos do Fantástico" de Aníbal Aleluia



    CONVITE

    ·                     Lançamento - próximo dia 03 de Junho de 2011 – 6ª Feira, pelas 17h: CONTOS DO FANTÁSTICO, de ANÍBAL ALELUIA.
    ·                     Local: Associação dos Escritores Moçambicanos
    ·                     Outros títulos do autor: Mbelele e outros Contos e O Gajo e os outros
    ·                     Apresentação: Clemente Bata

    O Homem


    Arrone Valentim Maússe
    Txapo-Txapo -  Mafalala





     Ao Poeta José Craveirinha

    Tu machaut que encaminhaste
    a nossa independencia total
    e partilhas-te connosco de tal
    maneira ador, a tristeza, a angustia
    e a alegria,

    Instiguiste à luta por nós
    mais hoje deixa-nos de olhos
    irguedos de sangue e luto,
    porquê Machaut
    porquê você

    O pai da escritura, arte e poesia
    partes no momento inpropio
    em que ainda precessavamos de ti,
    machaut deus levou a sua alma
    para que esteja com ele,
    ele não levou as suas obras.
    elas permaneceram aqui connosco
    para enchugar-nos os olhos irguidos
    de sangue Machaut,
    Machaut leve a africano corração.
    pensa à paz para África.


     


    Sessão de Contos na Livraria Minerva Central em Maputo


    Terá lugar neste sábado as 10 horas e 30 minutos, a Sessão de Contos na Livraria Minerva Central em Maputo. Trata-se da cerimónia de encerramento do curso "A Arte de Contar Histórias", promovido pelo Instituto Camões de Maputo. Contarão as histórias, Ana Luiza Baptista, Ana Rita Sequeira, Bernardo Chicamba, Nuno Negrões, entre outros. As ENTRADAS são LIVRES.

    O mensageiro das melhorias


    Nelson Lineu – Maputo  

    Nas artérias da cidade
    mesmo ao lado do monte de lixo,
    um homem
    que pelas aparências
    estava pior que o outro financeiramente

    sentiu necessidade de ajudar
    levando o outro a igreja.

    Entrando na casa do Senhor
    ouviria o que ele tem para dizer
    a vida melhoraria
    os problemas seriam resolvidos.

    O convidado inocentemente respondeu perguntando:
    Os teus problemas foram resolvidos,
    a tua vida melhorou?

    Para levar avante a Literatura: Zeca Craveirinha passa o testemunho para o Movimento Kuphaluxa


    Por Eduardo Quive
    O Movimento Literário Kuphaluxa realizou no dia em que José Craveirinha completaria 89 anos, 28 de Maio, um Sarau de Poesia na casa onde o poeta viveu os seus últimos 27 anos, no bairro da Munhuana arredores da cidade de Maputo. Na mesma ocasião, o filho do poeta-mor, fez a passagem do testemunho para os jovens, através do Kuphaluxa para garrantir a continuidade no desenvolvimento da arte da escrita, como seu pai, sempre quiz.
    O evento que juntou vários declamadores e poetas serviu para exaltar a poesia do considerado Poeta Maior de Moçambique e reflectir sobre a sua vivência, facto que ditou a realização do evento na sua casa.
    O Sarau foi o seguimento do evento que decorreu no Centro Cultural Brasil Moçambique na quinta-feira da mesma semana, que serviu para relançamento da Obra “Maria”.
    Para a família Craveirinha, o livro “Maria”, editada pela primeira vez em 1988, reflecte a dimensão real do Craveirinha, Homem, Cidadão e Poeta, cuja exaltação não se cingiu apenas as rimas e versos da Negritude, mas da família no seu todo, colocando a esposa ao seu lado e não por de trás.
    A família Craveirinha deu a conhecer no mesmo evento alguns segredos de vida quotidiana com José Craveirinha, o que constituiu uma oportunidade única para os jovens amantes da literatura e da sociedade em geral.

    declaração de sonhos


     Nelson Lineu - Maputo

    Talvez os nossos
    quando tomam posse não tenham mesmo nada
    daí a não declaração de bens
    a eles fazem declaração de sonhos

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