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    PERSONAGEM DA SEMANA: Maria Celestina Fernandes


    Escritora angolana Maria Celestina Fernandes

    "De Maria Celestina tenho seguido, desde o inicio, o caminhar literário. Não sei quem lhe alvitrou que as historias de intuito educativo, diariamente inventadas para seus filhos crianças, as escrevesse. Talvez António Jacinto de boa memória, quiçá Uanhenga Xitu. O que sim, sei é que seguiu o alvitre, percebeu o dever, enfrentou a tarefa. E a medida que nossos filhos são todas as crianças do Mundo. De aí lançou-se á escrita. Perante as criticas mais do que os aplausos inicias, Maria Celestina intuiu que só o trabalho, a perseverança, a humildade de ler e escrever e rescrever, voltar a escrever, lhe dariam suporte ao natural dom educativo."

    Luandino Vieira

    Maria Celestina Fernandes nasceu no Lubango, a 12 de Setembro de 1945. Fez os seus estudos primários e secundários em Luanda, tendo completado o ensino licial no liceu Salvador Correia. É Assistente Social, formada pelo Instituto de Serviço Social Pio XII e licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto. Ingressou em 1975 para o quadro do Banco Nacional de Angola, onde trabalhou por mais de duas décadas, inicialmente com a função de chefe do Departamento Social e depois como Subdirectora da Direcção Jurídica, categoria em que se reformou.
    Actualmente é consultora do Instituto de Formação Bancária-IFBA e Administradora de Empresa.
    Iniciou a carreira literária no início da década de oitenta, com a publicação de trabalhos no Jornal de Angola e Boletim da Organização da Mulher Angolana-OMA.
    Sua maior produção é dirigida à literatura infanto-juvenil. É membro da União dos Escritores Angolanos.


    Era uma vez um rapazinho que um dia desejou possuir o sol. Se alguma vez olharem para o céu, a hora do pôr do sol; se por acaso descobrirem qualquer coisa, lá em cima, que lembre um menino. Pois, não se esqueçam que esse menino pode bem ser um Hossi!...

    Extractos do conto "A Bola de Fogo" In: A Árvore do Gingongos, 1993,p.17.


    OBRAS

    Infanto-Juvenil

    A Borboleta Cor de Ouro (1990, UEA)
    Kalimba
    (1992, INALD)
    A Árvore dos Gingongos (1993, Edições Margem)
    A Rainha Tartaruga (1997 INALD)
    A filha do Soba (2001, Editorial Nzila)
    O Presente (2002, Edições Chá de Caxinde)
    A Estrela que Sorri (2005, UEA)
    É Preciso Prevenir (2006, UEA)
    As Três Aventureiras no Parque e a Joaninha (2006, UEA)
    União Arco Íris (2006, INALD)
    Colectânea de Contos (2006, INALD)

    Crónicas:

    Retalhos da Vida (1992, INALD)

    Poesia:

    Poemas (1995, UEA)
    O Meu Canto (2004, UEA)

    Romance:

    Os Panos Brancos (2004, UEA)
    A Muxiluanda (2008, Edições Chá de Caxinde)




    Crónica: Um texto sem assunto para Jovens Poetas



    A
    J.A.S. LOPITO FEIJÓO K. - Angola




    o longo dos meus alongamentos cerebrais, não raras vezes, tenho cruzado com um assunto que é -nada mais nada menos, o assunto das crónicas sem assunto. Agora, ao arriscar tocar este assunto, corro o risco de ser considerado como tal. Um tal de autor, de texto sem assunto.


    Na verdade predispus-me a escrever em razão de uma aguda e insolente insónia que há dois dias me assola, provavelmente, tendo como causa as exageradas doses de cafeína mais uns charutansos nas jornadas retraçadas.

    São três da matina e rebolando na posição horizontal – claro! -,       olho pró lado e contemplo o Bicho numa aparente, saudável e luxuosa soneca. Antes mesmo de me levantar confirmo ser ela muito boa de respiração. Não há rinoceronte que lha enfrenta em caso de desafios à fio. Sinto-me também nas vestes dos Pablos. Primeiro, de Picasso delineando com os olhos os contornos do alheio corpo desnudo. Depois, de Neruda que num instante me incendiou as entranhas inspirando-me estes versos para uma por/suposta:
    VERÓNICA. No meio das tuas temperadas coxas/contundente reside um continente com seus mares/de mais intercalares e felinos olhares seculares/onde desaguam incolores os jorros deste jarro. //No seio dos teus seios de divinos paladares/habita o leite ainda não derramado/nas papilas deste faminto andarilho que sou/ nos (uni) versos do teu corpo!
    Da janela do quarto observo uma divinal paisagem nocturna com o Mussulo e a Ilha Dos Pássaros já bem às escuras, quando num repente tudo ao redor escurece também. Triste. Resta-me a beleza do mar agora envaidecido com o florescente brilho da lua reflectindo na sua pele ondular. Sevicias da empresa de distribuição eléctrica em Luanda. A EDEL dos nossos hábitos e costumes.
    Irritado mas conformado volto a deitar-me e, logo / logo, minutos depois é reposta a «legalidade» iluminática. Provavelmente um qualquer animal (ir) racional ou mesmo um sapateiro matreiro, dado às electrónicas, por (des) propositado engano deve ter posto as patas na patilha em que não devia. Então levanta-se (de) novamente o escriba que, espiritualmente e por momentos, deixou de habitar em mim.
    Adentro o escritório, pela porta ao lado da porta do quarto da Casa-Museu que me recolhe neste merecido 2º piso onde me encontro na rua do pôr-do-sol ao Benfica de Belas silhuetas caluandas e, prossigo a aventureira procura de um assunto para então consumar a minha escrita neste texto cujo assunto – sei de antemão! -, Reside no facto de inexistir um assunto para redigir, iniciando assim, esta crónica sem assunto.
    Sem mais contra-curvas sento-me na cadeira já a precisar de substituição nos próximos dias e, debruço-me na escrivaninha com tampo de correr e do tipo daquela do poeta Pessoa que o pessoano João Paulo Cavalcanti Filho, juntamente com a Royale máquina de escrever do Senhor Fernando, arrematou por uns míseros noventa e tal mil euros num leilão em Lisboa.
    Já sentado e decidido, recupero a inspiração do cronista ainda sem assunto que por culpa da EDEL nossa de todos os dias se havia já passado.
    Mentalmente recuperado, pese a chatice da insónia, cá estou a procura do assunto. Primeiro arrumando a mesa e na sequência, mexendo e remexendo. Papeis para aqui, papeis para acolá.
     Vou ordenando o papelsório e o pensamento quando -depois de ter avistado o Livro dos Livros -, inesperadamente ataco com os olhos e saltam-me para as mãos as mais importantes cartas que qualquer jovem poeta deve ler e reler.
    Refiro me, sem medo de errar, às «Cartas A Um Jovem Poeta» assinadas por um tal de Maria Rilke que, nascido em Praga então capital da Boémia integrada no estado dos Habsburgos, em vida atendia pelo nome de Rainer.
    São dez cartas no total, endereçadas para um destinatário concreto. Franz Kappus. Um jovem oficial do exército austríaco autor de algumas experiências poéticas que aos dezanove anitos ousou escrever para o poeta pedindo opinião sobre aquilo que rabiscava em seus papeis nas horas de lazer.
    Segundo o próprio Kappus, «várias semanas passaram até que a resposta chegasse. A carta selada de azul trazia o carimbo de París, era pesada e exibia no sobrescrito a mesma caligrafia nítida, bela e segura que compunha o texto da primeira à última linha», tendo assim começado uma troca de correspondência regular que se prolongou até 1908 e cuja importância reside fundamentalmente no facto de serem cartas que podem interessar «também a muitos dos que hoje crescem e aos que ainda estão por vir nos dias de amanhã», pois segundo ainda o discípulo de Rilke em 1929, «quando fala um Grande e Inigualável os pequenos calam-se» e, acrescento, escutam, aprendem e devem agradecer.
    É justamente por isso que ainda cá andamos à procura de um assunto para este texto. Acreditem. E não vai este, tornar-se definitivamente, o assunto desta viajem no texto que agora desejo sem assunto até ao fim mas, tenho na memória também uma outra importantíssima “Carta”. De Virginia Woolf, também “... A Um Jovem Poeta” que há cerca de trinta anos o David Mestre me deu para ler com sérias recomendações que ainda hoje me têm sido úteis e, só agora e tardia mas publicamente, agradeço.
    Tanto Rilke como Woolf, aconselham jovens principiantes. Diz-se que os seus conselhos vão em sentidos opostos mas coincidem fundamentalmente no momento em que aconselham os seus correspondentes a não terem pressa de publicar pois para Virgínia, enquanto jovens podemos escrever disparates, cometer até erros gramaticais e inventar seja lá o que for... sendo assim que se aprende a escrever, ficando com a sua liberdade em perigo todo aquele que, em jovem, indiscriminada e apressadamente publicar.
    Já Rilke insiste na paciência, no trabalho e na crença na própria vida pois, para ele a vida tem sempre razão e, «Nessa vida o tempo não é uma medida, um ano nada é, e dez anos não são nada; ser artista significa: não fazer cálculos nem contas, amadurecer como uma árvore que não força a sua própria seiva e resiste, confiante nas tempestades da Primavera, sem recear que o Verão possa não vir depois...a paciência é tudo!». Até mesmo na vã tentativa de encontrar um assunto para esta crónica que definitivamente terminará por acabar ou acabará por terminar sem o dito cujo assunto.
    Finalmente, vem-me à tona uma questão identitária. A questão da idade que, suponho, não deve ser vista sob parâmetros balizados de forma rigorosa apesar de Ortega Y Gasset – na sua Meditação Del Pueblo Joven-, ter dito ser (mais ou menos) aos trinta anos de idade que os Homens começam a ser fiéis a si mesmo pois, em jovens sempre preferimos as coisas dos outros em vez das nossas, vivendo sempre em constante imitação.
    Assim sendo, com assunto ou sem assunto, apraz-me visitar uma vez mais o pensamento da “lírica” prosadora fascinada por versos que foi Virgínia Woolf. Corajosamente disse esta ao seu jovem correspondente: «A maior parte dos defeitos dos poemas que lí pode ser explicada, creio, pelo facto de estes serem expostos à luz feroz da publicidade, quando são ainda muito novos para lhe resistirem». Entretanto lhe havia já dito: «E, por amor de Deus, não publique nada antes dos trinta anos». Ponto & final!

    John Bella lança "O Regresso da Rainha Njinga" 


    O escritor angolano Jorge Marques Bela “John Bella” fará o lançamento do segundo volume do seu romance “o regresso da Rainha Njinga”, em Dezembro deste ano, por ocasião do 349º aniversário da morte da soberana do império Ngola.
    De acordo com o escritor, que avançou o facto hoje à Angop, o lançamento oficial do livro vai acontecer em Luanda e posteriormente será apresentado em Portugal, país onde está a ser preparada a referida obra pela Editora portuguesa “O cão que lê”.
    O livro, segundo o autor, comportará mais de 300 páginas que retratam aspectos sobre a soberana do reino do Ngola e deverá chegar a Angola em número de tiragem não revelado no próximo mês de Agosto.
    O primeiro volume do romance sobre a rainha, de 23 páginas, de acordo com John Bella, intitula-se “os primeiros passos da Rainha Njinga” e foi editado em Novembro de 2011.
    Njinga Mbande, tida como maior símbolo da resistência armada contra a ocupação portuguesa, nasceu em meados de 1582 e faleceu a 17 de Dezembro de 1663, sem, no entanto, ter sido capturada ou morta como foi intenção das mais altas patentes militares portuguesas da época esclavagista, ante uma longa e impiedosa perseguição a que a rainha foi submetida.
    John Bella retrata neste romance estes e outros aspectos que nortearam a vida da rainha Njinga Mbande, com o objectivo de divulgar e levar ao conhecimento das novas gerações a imponência dessa que foi a soberana do reino do Ngola (Angola), bem como contribuir no crescimento da história.
    Segundo o autor, para a compilação dos dados recorreu-se ao estudo e contacto com investigadores, tendo sido apurado que para a reconstituição do Império Ngola, quase já sob domínio político-militar português, Njinga Mbande teve que fazer alianças com os africanos e holandeses para uma luta contra a escravidão do seu povo.
    “Com este livro aspiro procurar encontrar, analisar e posteriormente fazer entender as causas deste ou daquele procedimento, quer positivo ou aparentemente negativo, de Mwene Njinga a Mbande sobre os acontecimentos de Zanga kya Ndanji, Kuwapolo, Kindonga, Kyambata, Kala a Ndula, Samba a Lukala, Mbanza e Makaria a Matamba, Mapungu a Ndongo, Kakulu ka Hangu, Kakulu ka Basa, Kasanji Kula a Muxitu, Kasanji Kula a Xingu, Kasanji ka Kinguri, entre outras localidades do reindo do Ngola no período de 1623 a 1630”, sustentou.
    John Bella começou a escrever aos 12 anos de idade e ingressou na Brigada Jovem de Literatura em 1984. Em 1987 frequentou um curso de literatura brasileira na União dos Escritores Angolanos, em Luanda.
    Em 1995 publicou o seu primeiro livro de poemas intitulado “Água da vida” e até 2012, escreveu outras obras como “Panelas cozinharam madrugadas”, “As orelhas do coelho Hélio”, “Nzamba o rei sou eu” e “Estes dois são Cão e Gato”.
    Fez a apresentação este mês, do seu mais recente livro infantil “As lágrimas do Rei-sol”, inserida no âmbito do projecto “Jardim do livro infantil”, decorrido de 29 de Junho último a 1 Julho no país, sob promoção do ministério da cultura. Angola Press

    Escritora Cremilda de Lima advoga continuidade na literatura infantil 


    A escritora Cremilda de Lima advogou na passada, terça-feira, em Luanda, que para haver uma continuidade sobre a literatura infantil e novos escritores há a necessidade de existir uma base onde se desenvolvam acções literárias.
    Em declarações à agência noticiosa, Angola Press, sobre a situação da literatura infantil em Angola, a escritora realçou que, com tais acções, podem estimular talentos que andam a ser perdidos para a escrita, pois escritores de literatura infantil e histórias infantis a muito poucos.
    Acrescentou que esta escassez de escritores que apostam na literatura infantil também se deve a falta de conhecimento da matéria em questão, por não terem sido feitas reedições de livros autores que tiverem um valor quase imensurável para a literatura que podiam servir de apoio.
    “Autores como Rosalina Pombal e Gabriela Antunes, cujos livros deveriam ser reeditados e vendidos pelo país todo, não são reeditados”, disse.
    Sugeriu que os encarregados de educação devem actuar como agentes destas actividades, comprando livros, lerem e despertarem em seus filhos o interesse pela leitura, mas de uma forma agradável e não impondo.
    Segundo a fonte, há uma proposta ao Ministério da Educação, de forma a ser implementado no país, um plano nacional de literatura a nível das escolas em que os alunos serão analisados nas salas de aulas com os professores.
    “Os professores vão, dentro deste plano, fazer actividades que permitam verificar se realmente as crianças lêem para que a literatura infantil continue parte exactamente do imaginário das crianças”, assegurou.
    Nascida em Luanda, Cremilda de Lima, licenciada em pedagogia pelo ISCED, é professora do ensino primário desde 1977, tem já publicados vários livros, nomeadamente "O tambarino dourado", "Missanga e o sapupo", "O nguiko e as mandiocas", "A kianda e o barquinho de fuxi", "A múcua que bailoçava ao vento", "O maboque mágico", "A velha sanga partida" e "Mussulo uma ilha uma encantada".

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