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    “Enganações de boca” de Luís Carlos Patraquim


    Por Eduardo Quive


    Directo, criativo e discretivo, é as crónicas de Luís Carlos Patraquim, editadas e lançadas em Livro, intitulado “Enganações de Boca”, num evento havido na última quinta-feira em Maputo.
    Patraquim, depois de ter se estreiado na Prosa, com o livro “A canção de Zefanias Sforza” o escritor moçambicano com uma grande colaboração de Luis Cezerilo, coleccionou crónicas da sua autoria, publicadas na revista Angolé, na África Lusófona, e no semanário Savana.
    Nas discrições de Luís Carlos Patraquim, numa volta em que convergem várias palavras e nomes como José Craveirinha, Hemingway, Amílcar Cabral, Shakespeare, Drummond, para fazer realce ao quotidiano e as visões de um homem cujas palavras circulam através da escrita, mas como qualquer homem, partem da boca.
    Quem tentara descrever o autor, foi António Cabrita, amigo de longa data que amigavelmente, disse que Patraquim tem uma memória de elefante pelas coisas inesquecíveis que vem referenciadas no livro, e considerando ter acompanhado quase todos processos referenciados na obra, afirmou que na Crónica a Cidade Depois do Voto, há uma ilustração da qualidade de escrita do escritor.
    “Chamou-me atenção o seguinte parágrafo: E me sentei no café iluminado, bebendo a cidade coreográfica, seu cada movimento intervencionando outras memórias no reajusto de continuidade na pose da mulher que passava. Há uma correspondência entre esta cidade concebida com mudança e o jogo da identidade para Patraquim e quem dança nesta dança em que o sol é um, é esta audição de Patraquim, nenhum de nós é só um.”
    Ainda na semana passada, Luís Patraquim esteve em conversas discontraídas com a juventude, sobre a literatura e outras questões, uma vez ser característico neste escritor a intervenção em assuntos sociais de Moçambique e não só, principalmente através do conhecido programa radiofónico “Debate Africano”.

    O escritor vem se destacando nos últimos tempos na prosa, depois de ter se destacado ou mesmo sido considerado poeta, pelas suas obras anteriores “Monção” “A inadiável viagem”, “Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora” “Mariscando luas”, “O osso côncavo e outros poemas” e uma Antologia de poemas dos livros anteriores e poemas novos.
    Quando perguntado sobre o que falta fazer na literatura, o escritor disse que faltava fazer tudo, “na literatura já fiz tudo e falta fazer tudo”.

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