Ivan Gujamo - Tete
Um petiz como eu
Uma criança igual a mim
É sempre uma esperança
Seja bem cuidada ou não, é uma esperança
Vagueio pelas ruas de costas e ancas nuas
Destemido das vaias ou apupos
Vou pedinchando, esmolando o pouco possível
Desde o mais sensível até ao beneficiário de tudo possível
Ergo-me de pés juntos próximo ao semáforo...
Mas sobre os meus pés somente cai a cinza do cigarro
O vidro do carro eleva-se e o rosto do proprietário oculta¬¬-se
Ai! Kero sim alguém que me escuta
Não aprendi o bê-á-bá pela deficiência económica
Por isso mesmo nem o meu nome sei gatafunhar
Queria quem me ajudasse a distinguir o certo do errado
O bom do ruim, o esquerdo do direito e o alto do baixo
Eu sou um petiz igual aos outros
Mereço paz, amor e carinho
Alguém por favor, tire-me desse sarilho
Não tenho abrigo, nem tecto
Sou um todo de mau aspecto
Nas noites não tenho cobertor
Oh! Jesus meu redentor....
Nas noites solto gemidos e estremeço convulsivamente
Ah! Sinceramente.......
Eu sou um petiz igual aos outros
Eu quero, é de comer
Eu quero, é aprender
Eu quero, é de vestir
Eu quero mais, conhecer os meus direitos e os meus deveres
Eu quero ter a protecção contra a violência
Eu quero como as outras crianças....
Fechar os dedos e fazer o punho...
Cantar, saltitar e gritar... Vinha o 1 de Junho
“Eu sou um petiz igual aos outros”
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1 comentários:
Meu amigo, parabéns pelo poema!!!!!! Força!!!
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