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    Croniconto: O namoro é atentado ao casamento?


    Dany Wambire - Beira/Moçambique



    Devo a minha modesta gratidão ao tempo. Sim, agradeço ao tempo por ele, de forma platónica, ter-me trazido meus avôs para perto de mim, esses que são minha fonte de inspiração. Afinal, nós que com tardança descobrimos a escrita, corre-mos o risco de perdermos alguns ensinamentos à medida que esses anciãos vão cessando a respiração.
    E é a minha avó, sempre passadista, que afirma categoricamente:
    ― Namoro de hoje é atentado ao casamento, meu neto!
    E eu, atónito, peço-a defesas, argumentos que sustentem e alimentem a sua incomum proposição. Ela não demora, ajeita a vestimenta, certifica-se da limpidez da voz e se explica. Vai explicando tudo, tintim por tintim, omitindo apenas as datas, que é próprio da tradição oral.
    Defende, mas sem garras e unhas, que nós adquirimos hábitos de brancos: inventamos pré-casamentos, abraçamo-nos nas ruas, entre outras coisas que venciam admissão não é senão no casamento. Agora, explica ela, as pessoas vêem o namoro como mero divertimento, forma de afugentamento de stress, de satisfação de prazeres sexuais. Até o aconselham pais, mal modernizados, a um filho de 15 anos de idade mal disposto à conta do stress.
    ― Meu filho, você anda mal disposto, bom seria que tu arranjesses uma namoradinha para te divertires.
    Mas não é namoro como preparação de casamento a que minha avó está contra, constantemente. Pelo contrário, defende ela que isso é inovação. Aculturação, a bem dizer, coisa que não havia nos tempos em que ela fora actriz e não mera espectadora do tempo como hoje. O que lhe chateia é ver o namoro a ser banalizado e o casamento a ser preterido. Pessoas há tantas que nem sequer plano de casamento têm, mas namoram. É ainda preparação de casamento ou é próprio casamento? Se é o próprio casamento, exige a minha avó, que se mudem os dados estatísticos, que se diga que elevou-se o índice de divórcio no país e que irá triplicar daqui a escassos anos. Pois inúmeros namoros são constantemente rompidos, diariamente, sem justa causa.
    E é essencialmente esse mau cenário que a faz constantemente regressar ao passado, ser passadista, pensar que os casamentos de outrora eram os melhores. Não é que o modo antigo, de lhes ser determinados os parceiros, os homens de suas vidas à distância ou sem os seus consentimentos, seja dos melhores. Não que o pretérito seja melhor que o presente. É que quando o futuro não promete esperança, o presente não permite viver, então melhor é viver no passado, assim defende-se ela.
    -se ao� o � (�� ��� tando-lhe nos olhos lamentou, absorta:
    ― Fiodélio, você não pode pagar um copo de cerveja a mulher que tirou tua barriga de cinco meses!
    Atónitos, todos desataram a rir incluindo o próprio Fiodélio. Mas ele é que devia agir, silenciar outros segredos que podiam ser revelados, eventualmente, por aquela mulher. E acabou mesmo afiançando a paga do solicitado copo.
    -serife � o a hi� ؁� age: PT'>― Explicou o paciente. ― Estavam munidos de armas, sei lá se eram brancas, pretas ou azuis! ― Concluiu.
    No seguido, os enfermeiros aconselharam-no a participar a ocorrência ao polícia ali próximo, em serviço naquele hospital regional. Para seu azar, todos os polícias já estavam informados da presumível vinda de um paciente sangrando no rosto. Bastava, de resto, o local do sangramento e o local da ocorrência, para permitir o seguimento das investigações policiais.
    Destacaram um polícia para assistir ao tratamento do queixoso. E o jovem, ingénuo, pensou estar a ser protegido como vitima de assalto, é claro. Terminado o tratamento, um carro policial estava à sua espera, para o apresentar no posto policial da zona, onde ele supostamente fora salteado. E era neste posto policial que estava aguardando o meu comandante, o verdadeiro ofendido.
    O oficial da polícia em serviço ouviu, no seguido, a explicação do recém-chegado queixoso. O jovem se explicou, como já fizera no hospital regional, enquanto o oficial o acompanhava, circunspecto. Depois sucedeu o inesperado por parte do jovem recém-adentrado pela esquadra policial. O oficial mandou chamar o comandante Maventura Campestre, até ao momento ocultado, e perguntou seguidamente ao jovem:
    ― Este é o senhor que te assaltou? 

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