EM DESTAQUE

  • RUA ARAÚJO….É hora de ir a putaria. Conto de Eduardo Quive
  • FESTIVAL INTERNACIONAL SHOWESIA – levando a mensagem sobre a Paz no Mundo através da arte
  • VALE A PENA GASTAR 111 MILHÕES USD PARA ALTERAR A LÍNGUA?
  • Feira do Livro da Minerva Central na 76ª Edição em Maputo”.
  • SEGUIDORES

    LEIA AQUI A EDIÇÃO 51

    Pub

    REFLEXÃO: Poesia: Uma morada constante

    Mauro Brito - Moçambique



    Todo ser vivente tem a sua dor, seja ela de que grau for, ela representa nesse ser que a transporta a presença de sensibilidade física ou espiritual onde estão incluídas pessoas, objectos, animais, seres não vivos, etc. Assumo que o poeta (escritor) não se desvia desta norma natural, o poeta a sente como o professor quando o aluno não assimila a matéria, o pai quando o filho se desvia ou não acata as ordens, o médico quando os seus doentes se lhe escapa, e tantos outros; o poeta não é um deus fantasmagórico, de soluções e pós mágicos, mas é um arquitecto da palavra, o marceneiro que talha e molda a madeira consoante o seu agrado e o seu dispor e as ferramentas que tiver a disposição. O poeta (gente) sente-a quando fica de boca selada (calado) e consente, se não for transmitir, mesmo que seja para os seus botões, é uma dor enorme, que carrega nos restantes dos seus dias; criar poesia é criar interrogações nas próprias crenças, descolorir o colorido, fazer barulho aos silenciosos, é uma visita ao uns e outros que não sou, uma visita a si mesmo, à um aquele EU que sempre ajeitamos directa ou indirectamente, infiltrar-se sem de nada saber. Sábio não é o poeta, eu como poeta aprendiz, procuro não a verdade tampouco o real, procuro o irreal, apenas memórias que podem ou não me invadir e preencher, pois antes de percebermos
    Publicidade
    o real, devemos compreender o irreal e o incompreensível. Eu escrevo quando não posso mais comigo mesmo, quando a água na boca já não se vai pela goela abaixo, atravessando as 24 horas de um dia, acordando até aos silêncios dentro de mim e dentro dos outros desde os mais medonhos e profundos que podem existir, dentro de um cidadão tão comum e tão maluco e tolo como os políticos o são.
    Um poeta o defino, um amigo, um esfarrapudo, um amigo inimigo, uma voz que nunca fala em público ou as televisões, em capas de revista ou ainda forbes e magazines, um poeta não é um deus fantasmagórico, é uma luz, que inventa a sua própria sombra, uma figura desconhecida mesmo no corpo em que habita, estranho a tudo e todos, desde a sua própria poesia, por favor, não pode ser a poesia mais ou menos importante que o poeta, corre-se o risco de pôr em o perigo os dois, o objecto e o sujeito criador; estes completam-se, a poesia não existe sem o poeta, nem o poeta existe sem a poesia, tal como a escrita não existiria sem o escritor, ambos são a mesma coisa, provém da mesma árvore. Poesia, luz, silêncio, estrada deserta, parede nua e crua, uma vida todas vidas. Se rompemos com esse cordão umbilical, rompemos também com os que estão ligados. Por vezes me meto na cama e depois de escassos minutos me vejo invadido e perturbado por vozes e escritas, sem saber a proveniência nem o destino, como se já estivesse prescrita uma missão de realizar a escrita, como se o ser poeta fosse uma missão assumida a partir do momento que se começa nas fainas literárias, rompo com a hora, a praxe e rabisco se esvai, seja onde for, agora me habituei a dormir com pedaços de papel por baixo da cama, das almofadas (travesseiro). Sendo poeta, não sou somente na escrita, mas na maneira de falar, de ouvir, escutar, estar com amigos e pessoas, não sou poeta maduro, nem imaturo, tampouco se pode amadurecer nas lides literárias; disse-me o amigo Willian Delarte, “és uma semente de uma árvore frondosa”, o Poeta Patraquim disse uma vez na sua entrevista que não existem poetas bons nem mãos, apenas existem poetas. E eu como cidadão de Moçambique, sou mais um de poucos que cá existem, sou apenas um adolescente que a cada dia aprende a construir seus mundos interiores, porque o de cá fora anda muito conturbado, sou jovem escritor, aprendiz, e amador da escrita, mais um poeta, só poeta.

    0 comentários:

    Enviar um comentário

    Pub

    AS MAIS LIDAS DA SEMANA

    Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More